Trump anuncia retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irã

Trump anuncia retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irã

É desta forma que Ali Khamenei, líder supremo do Irão reagiu ao discuro de Donald Trumps sobre a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irão.

"Em termos históricos, os presidentes iranianos estão sempre mais fracos nos segundos mandatos".

Ontem, Donald Trump afirmou, durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, que o acordo é "horrível" e que "nunca deveria ter acontecido", acrescentando que os EUA irão aplicar "as sanções mais duras de sempre". Recorde-se que o presidente iraniano justificou a assinatura do acordo de 2015 com a possibilidade de abertura do Irão ao mundo, o que traria investimento estrangeiro para o país, melhorando assim a qualidade de vida dos iranianos. "Temos provas de que esse programa é uma mentira".

O Kremlin já tinha alertado Washington contra o abandono do acordo, considerando que a decisão representaria um duro golpe para o regime da não-proliferação nuclear.

Na realidade, a apresentação feita por Netanyahu, perseguido por investigações de corrupção e enfraquecido pelas dissidências dentro de sua base da direita e extrema-direita, não conseguiu provar nada. Os líderes mundiais temiam que o Irã usasse o programa para construir armas atômicas. Em troca, Teerão vê levantadas de forma progressiva as sanções internacionais contra o país.

Existe um motivo para Israel se incomodar tanto com o Irã. As grandes associações alemãs, caso da Federação da Indústria e as Câmaras de Comércio reagiram exigindo que a UE encontre o mais depressa possível uma solução que, sem pôr em causa a relação comercial com os EUA, proteja as empresas europeias da aplicação "unilateral e ilegal" das sanções norte-americanas.

Costa também aponta uma hipocrisia impossível de não ser destacada.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, informou que "em resposta às persistentes violações dos EUA e a retirada ilegal do acordo nuclear "vai realizar" um esforço diplomático para descobrir se os outros signatários do JCPOA podem garantir seus benefícios completos para o Irã".

Para os dirigentes políticos da Europa, sobretudo da França, da Grã-Bretanha e da Alemanha, esta é mais uma humilhação por parte do Presidente de um país dito aliado. Antonio Guterres, secretário geral da ONU, afirmou, inclusive, que o acordo é essencial para a paz.

"Lamentamos bastante a decisão dos Estados Unidos".

O acordo nuclear com o Irão foi assinado em Viena em 2015, ao fim de vários meses de intensas negociações entre o Irão e o grupo P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas - Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia - e Alemanha). "A União Europeia está determinada a preservar o acordo. Ele pertence a toda a comunidade internacional ".

Hassan Rouhani já respondeu à decisão de Trump.

"O problema dos Estados Unidos com o Irão não é sobre energia nuclear".

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