Relatório sobre incêndio de Pedrógão na gaveta desde Novembro

Relatório sobre incêndio de Pedrógão na gaveta desde Novembro

Em causa estão, aponta ainda o Público, "todos os documentos que são produzidos no posto de comando de um incêndio, desde os planos de situação aos planos estratégicos de ataque, e todas as informações de qualquer posto de comando".

"Não foi possível aceder a um único SITAC [quadro de situação táctica], a um único Quadro de Informação de Células, ou a um PEA [Plano Estratégico de Ação]", lê-se no documento citado pelo Público. "Todos estes documentos haviam sido apagados dos quadros das VCOC e VPCC [viaturas de comunicação], ou destruídos os documentos em papel que os suportaram".

De acordo com o relatório, o primeiro posto de comando foi uma mesa com quatro cadeiras e um computador pessoal emprestado por um bombeiro, com o Google Earth aberto.

Segundo informaram alguns comandantes da ANPC ao jornal diário, esta situação acontece devido à falta de meios para trabalho num posto de comando, uma vez que estes planos são desenhados e redesenhados conforme o evoluir da situação, em cima de um plástico ou acrílico colocado por cima de uma carta militar.

Os auditores notam ainda uma "ausência" do comandante de operações (COS), Augusto Arnaut, que voltaria a protagonizar mais uma "ausência inesperada" mais tarde.

"Perante este atraso irrecuperável, com problemas de comunicações, sem planeamento anterior atempado e sem um conhecimento do perímetro do incêndio, a própria gestão reactiva é prejudicada".

Com a mudança do comandante, pelas 22h00, os auditores dizem encontrar melhorias na organização e na estratégia, apesar de referirem que este se concentrou mais no socorro do que no combate.

A auditoria "foi determinada pelo Ministério da Administração Interna", tendo sido entregue ao MAI "em meados de novembro e, logo no dia 20 de novembro", o ministério "encaminhou o relatório ao Ministério Público (MP)", disse.

A informação foi avançadas pelo ministério da Administração Interna numa nota enviada às redações, onde se explica que o Executivo espera assim que a Procuradoria-Geral levante o segredo de justiça sob o qual está o relatório, cuja existência foi noticiada esta quarta-feira pelo jornal Público.

O violento incêndio de Pedrógão Grande continua ainda envolto em mistério e agora, de acordo com o Público, os responsáveis técnicos da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) dão conta de que a investigação ao fogo teve "limitações na obtenção de elementos de prova".

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