PF mostra que dinheiro desviado da Petrobras bancou propinas da Odebrecht

PF mostra que dinheiro desviado da Petrobras bancou propinas da Odebrecht

O documento também corrobora com a versão dada em 2017 pelo engenheiro Emyr Diniz Costa Júnior que, em delação, disse ter recebido R$ 700 mil para custear compra de materiais e serviços relacionados a obra por meio do departamento de propina da empreiteira. O documento foi anexado à ação penal em que Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Nos registros de controle de pagamentos de propinas usados pela empreiteira, R$ 700 mil foram gastos pela Odebrecht nas obras realizadas no sítio.

Lula é acusado de receber 1 milhão de reais em propina das empreiteiras Odebrecht, OAS e Schahin por meio de reformas e construção de benfeitorias na propriedade, que não pertence formalmente ao petista, mas era frequentada por ele e sua família.

No entanto, de acordo com peritos, não há no sistema alguma referência que o dinheiro foi redirecionado à obra do sítio em Atibaia. Essa conta faz parte do Caixa Único gerenciado pelo Setor de Operações Estruturadas. "A utilização de um caixa único explica as razões de não ser possível, em regra, vincular determinado pagamento ilícito à origem primária do recurso (obra executada pela Odebrecht)", diz o laudo.

Laudo elaborado pelos peritos da Polícia Federal e tornado público nesta quarta-feira (16) aponta que as reformas feitas no sítio de Atibaia, alvo de um processo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu, foram bancadas com recursos de propinas oriundas daOdebrecht.

Para os peritos, os valores são oriundos de dinheiro de obras da Petrobras. A defesa afirma que os valores são compatíveis com as notas fiscais já apresentadas pelo MPF à Justiça, como provas da suposta propina ao ex-presidente Lula.

"Não foram encontradas, no contexto da ação penal, até a data de emissão deste laudo, nas pesquisas efetuadas no material examinado (Sistema Drousys e Sistema MyWebDay), documentos ou lançamentos que façam referências a termos tais como Atibaia, Sítio e Santa Bárbara", escreveram os peritos.

Por outro lado, o mesmo laudo pericial, com o claro objetivo de ofuscar recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal que afastou qualquer vínculo entre elementos anexados a essa ação penal e a competência da Justiça Federal de Curitiba (Pet. 6780/STF), fez descabidas referências a recursos provenientes de contratos da Petrobras. Os advogados também disseram que a "a acusação se reportou a 7 contratos específicos da Petrobras, nenhum deles analisado pelo laudo pericial". A defesa do ex-presidente Lula nega que ele tenha recebido benefícios ou vantagens indevidas.

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