Operação da PF prende doleiros ligados ao maior narcotraficante do país

Operação da PF prende doleiros ligados ao maior narcotraficante do país

A Polícia Federal desarticulou nesta terça-feira (15) um grupo de doleiros que lavavam dinheiro utilizado pelo tráfico internacional de drogas a mando de Luiz Carlos da Rocha, conhecido como Cabeça Branca, apontado como um dos maiores narcotraficantes da América Latina, segundo a polícia.

De acordo com artigo publicado na Fórum, em 2016, por Helena Sthephanowitz, há no caso um buraco mal explicado, ou seja, saber "porque alguns investigados só saem da cadeia em Curitiba quando delatam qualquer coisa, quase sempre com efeitos políticos que atingem a atual base governista federal (na época o governo Dilma), enquanto outros que tinham informações que atingem a oposição tucana foram mandados para casa em silêncio, ganhando benefícios como redução de multas, suspensão e extinção de penas?". Após a prisão do Cabeça Branca, eles mantinham um estilo de vida mais tranquilo.

Batizada de Efeito Dominó, a ação é um desdobramento da Operação Spectrum, deflagrada em 2017.

"As investigações demonstram robustos indícios acerca do modus operandi da organização criminosa, consistente na convergência de interesses das atividades ilícitas dos 'clientes dos doleiros' investigados, pois de um lado havia a necessidade de disponibilidade de grande volume de reais em espécie para o pagamento de propinas e de outro, traficantes internacionais como Luiz Carlos da Rocha possuíam disponibilidade de recursos em moeda nacional e necessitavam de dólares para efetuar as transações internacionais com fornecedores de cocaína", informou a Polícia Federal. O objetivo é reunir informações complementares da prática dos crimes de lavagem de dinheiro, contra o sistema financeiro, de organização criminosa e de associação para o tráfico internacional de entorpecentes. Cerca de 90 policiais federais cumpriram 26 ordens judiciais, sendo 18 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de prisão preventiva e três mandados de prisão temporária no Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além do Distrito Federal. A operação é intitulada 'Efeito Dominó'. Em seus depoimentos, o delator cita os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Fernando Collor (PTC-AL), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL). O termo foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A polícia destacou que Ceará havia firmado acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Lá permanecerão à disposição da Justiça Federal.

- O Ceará é um profissional que atua na lavagem de dinheiro. O senador nega essa afirmação. Entre os presos está Carlos Alexandre de Souza Rocha, doleiro da Lava Jato.

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