Operação da PF desarticula esquema de lavagem de dinheiro do tráfico

Operação da PF desarticula esquema de lavagem de dinheiro do tráfico

Os mandados estão sendo executados em Pernambuco, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Ceará, Paraíba, Distrito Federal e São Paulo.

Sempre sob as ordens de Cabeça Branca, a família arranjava laranjas que forneciam nomes para as transações.

Polícia deflagrou Operação Efeito Dominó nesta terça-feira em seis Estados e no DF contra lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Pedro e Hamilton para comentar o caso.

Segundo a PF, três mandados de busca e apreensão, sendo dois deles acompanhado de prisão preventiva, foram expedidos para residências no bairro de Boa Viagem e para uma empresa que atua no ramo de blindagem de veículos no bairro da Imbiribeira, ambos na zona sul da capital pernambucana. O filho, com mandado de prisão preventiva, foi detido em um condomínio de luxo na Vila Nasser, em Campo Grande. Lá foi encontrada uma arma de fogo com calibre de uso restrito.

Ainda de acordo com o UOL, a operação que ocorreu ontem faz parte de uma nova abordagem da PF em relação ao narcotráfico: sufocar o braço econômico das organizações.

Considerado pela polícia como "executivo do crime organizado", Cabeça Branca operava de forma sistemática, com procedimentos e padrões pré-definidos. Atualmente preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, o traficante Cabeça Branca, teria conexões em dezenas de países, além de uma rede de doleiros e operadores para que pudesse lavar o dinheiro do tráfico.

A suspeita de ligação veio à tona com o doleiro Carlos Alexandre de Souza, o "Ceará", que já foi alvo de outras investigações e que celebrou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) na Operação Lava-Jato. Ceará atuava na Lava Jato com o Doleiro Alberto Youssef e firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. "Indícios apontam que ele e o traficante cooperavam mutuamente pelo menos desde 2016", pontuou o delegado Roberto. De um lado haveria a necessidade de manter disponível um grande volume de reais em espécie para o pagamento de propinas.

O esquema funcionava como uma espécie de troca. "Temos uma lista com mais de 200 nomes de pessoas físicas e pessoas jurídicas envolvidas com o grupo e que serão investigadas".

Em mais de 20 anos de atividades no crime, a Polícia Federal estima que ele tenha reunido uma fortuna em bens que chegariam a pelo menos US$ 100 milhões (cerca de R$ 325 milhões) e movimentado uma cifra superior a R$ 1,2 bilhão. Ele não trabalhava apenas com traficantes. "E esse cara que lidava com o dinheiro de narcotraficantes também entregava propina a corruptos", explicou. Cabeça Branca, por sua vez, também operava cifras milionárias com o envio de cocaína para a Europa.

Artigos relacionados