Greve: Sindicatos denunciam contratação ilegal no Instituto Medicina Legal Lisboa

Greve: Sindicatos denunciam contratação ilegal no Instituto Medicina Legal Lisboa

Entre as estruturas sindicais que convocaram o protesto, as críticas ao ministro da Saúde foram mais fortes, com o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) a acusar o governante de "cinismo político puro" depois de Adalberto Campos Fernandes ter dito que compreendia as reivindicações dos médicos, mas alertado que não se consegue resolver tudo de uma vez. Já no Litoral Alentejano, estes números provocaram "uma grande redução no número de consultas", "fechando blocos operatórios", revela o sindicado.

"A adesão à greve nos blocos operatórios ultrapassou os 90%. E nas consultas externas dos hospitais a adesão foi de 75%, atingindo os 85% nas consultas de medicina geral familiar", avançou ao Jornal Económico o secretário geral do SIM. "Os blocos centrais de Leiria e do Algarve, por exemplo, estão todos encerrados e no Hospital S. João apenas um dos blocos está a funcionar", disse à agência Lusa Roque da Cunha. Portanto, o sindicalista pensa que nos próximos dois dias "haverá tanta ou mais adesão à greve como no primeiro dia", servindo esta greve como "a base de demonstração de insatisfação" dos médicos.

Os sindicatos sublinham que o Governo gasta 120 milhões com serviços de empresas de trabalho temporário.

"Berto chau, Berto chau, Berto chau, chau, chau" é uma das frases cantadas pelos médicos que participam na concentração promovida pela Federação Nacional de Médicos em frente do Ministério da Saúde e que coincide com o primeiro dos três dias de greve nacional de médicos.

Este responsável acrescenta que, "em vez deste dinheiro, o Governo devia de abrir concursos atempados para a contratação dos médicos recém-especialistas necessários para o SNS, o que ficava muito mais barato", acrescentando que, no ano passado, com o a demora destes concursos assistiu-se a uma fuga de médicos para o estrangeiro e hospitais privados.

Armindo de Sousa Ribeiro explicou ainda que "os médicos que aderem à greve, não estão a fazer nem consultas nem cirurgia", embora "os prestadores de serviços são aqueles que, não podendo fazer greve, estão a assegurar algumas dessas consultas que já estariam programadas".

A diminuição do trabalho suplementar anual, das atuais 200 horas para as 150 horas, em conformidade com a restante Função Pública, o limite de 12 horas de trabalho semanal em Serviço de Urgência e o reajustamento das listas de utentes dos Médicos de Família, de 1.900 para 1.550 utentes, são ainda outras reivindicações da FNAM.

Outros motivos da greve são a revisão das carreiras médicas e respectivas grelhas salariais, o descongelamento da progressão da carreira médica e a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido, de risco e penosidade acrescidos, com a diminuição da idade da reforma.

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