Fachin prorroga por 60 dias inquérito contra Eunício e Rodrigo Maia

Fachin prorroga por 60 dias inquérito contra Eunício e Rodrigo Maia

O relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin autorizou a abertura inquérito contra senadores do MDB, incluindo o nome de Eduardo Braga. O pedido de Fachin foi registrado no sistema do STF nesta quarta-feira (16).

"À luz do exposto, defiro os pedidos feitos pela Procuradoria-Geral da República, determinando: (i) a reclassificação destes autos como 'inquérito originário'; (ii) a remessa dos autos à autoridade policial para que, no prazo de 60 (sessenta) dias, atenda às diligências especificadas pelo Ministério Público Federal", decidiu Fachin.

São investigados no mesmo inquérito os senadores Romero Jucá (RR), presidente do MDB, e Renan Calheiros (MDB-AL), bem como o deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA). A investigação foi autorizada com base nas delações de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e Ricardo Saud, ex-diretor da JBS.

Em sua delação, Saud disse ter havido pagamentos da ordem de 46 milhões de reais a senadores do MDB, a pedido do PT. De acordo com o executivo, apesar de diversas doações terem sido oficiais, trata-se de "vantagem indevida", já que dirigentes petistas estariam comprando o apoio de peemedebistas nas eleições de 2014 para garantir a aliança entre os dois partidos.

Segundo planilhas apresentadas por delatores, Eunício Oliveira teria recebido mais de R$ 2 milhões, enquanto Rodrigo Maia teria recebido R$ 100 mil.

O delator afirmou ainda, que o objetivo era "manter a unidade no PMDB, já que havia, à época, risco de ruptura, com a perspectiva de integrantes do partido passarem a apoiar formalmente a campanha de Aécio Neves à Presidência da República". Em nota, o MDB informou repudiar "mais uma tentativa de criminalização da política".

Henrique Eduardo Alves: teria recebido ilegalmente R$ 2,9 milhões.

Ao decidir pela abertura do inquérito, Fachin destacou que, no momento, não é possível dividir a investigação sobre as pessoas sem foro privilegiado porque houve "descrição de condutas materialmente imbricadas".

Para a PGR, as solicitações de vantagens indevidas, antes de serem efetivamente entregues, dependiam de negociatas entre o sócio da J&F Joesley Batista e o então ministro da Fazenda Guido Mantega.

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