Desafiando o imperialismo, Putin constrói ponte da Russia para Crimeia

Desafiando o imperialismo, Putin constrói ponte da Russia para Crimeia

Ao volante de um caminhão laranja, o presidente russo, Vladimir Putin, inaugurou nesta terça-feira (15) uma ponte que liga a Crimeia à Rússia, uma obra muito simbólica que tem como objetivo reduzir o isolamento da península anexada por Moscou em 2014.

- Reduzir o isolamento -Em entrevista à AFP, o primeiro-ministro ucraniano, Volodymyr Groïsman, acusou a Rússia de "pisotear o Direito Internacional" com essa ponte.

Putin dirigiu um enorme caminhão Kamaz, de fabricação russa, pelos 19 quilômetros da ponte sobre o estreito de Kertch, projetada para conectar a Crimeia à rede de transportes da Rússia. Atrás do camião conduzido por Putin, viatura utilizada nos trabalhos de construção da ponte, e acompanhado por vários trabalhadores, seguiu cerca de uma dezena de outros camiões e automóveis ligados às obras, às autoridades e à segurança da Rússia. O governo golpista da Ucrânia e o imperialismo não reconhecem a vontade popular local e a integração à Rússia, seu residente considerou a construção "ilegal" e a "última prova do desprezo do Kremlin pelo direito internacional".

"Tentaram nos anos 30, 40 e 50 e finalmente, graças ao vosso trabalho e ao vosso talento, este projeto, este milagre aconteceu", disse Putin aos trabalhadores, citado pelo Diário de Notícias. "A Rússia vai pagar bem caro", ameaçou o chefe do executivo de Kiev.

A União Europeia classificou esta ponte como "uma nova violação da soberania". A construção dessa ponte liga, especificamente, a península anexada do Mar Negro à Rússia continental, sem passar por território ucraniano, e foi um dos maiores desafios do líder russo.

A porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, reafirmou que a "Crimeia é parte da Ucrânia".

A Ucrânia, por sua vez, se nega a renunciar à sua soberania sobre a Crimeia, que foi anexada pela Rússia em 2014, e garantiu que essa nova "tentativa de legitimar a ocupação temporária da península" será em vão.

A anexação da Crimeia pela Rússia gerou sanções internacionais a Moscou, deteriorando as relações com o Ocidente. "As forças de ocupação da Rússia, que ocupam temporariamente a Crimeia, continuam a agir fora das leis internacionais", afirmou.

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