Brasil vai pedir registros da CIA sobre regime militar

Brasil vai pedir registros da CIA sobre regime militar

A informação da assessoria do Itamaraty é que a embaixada brasileira em Washington já recebeu do ministro Aloysio Nunes as instruções pra pedir a liberação completa dos registros sobre o período da Ditadura Militar.

Membros da Comissão Nacional da Verdade defendem a revisão da Lei de Anistia no STF (Supremo Tribunal Federal) depois da revelação de que o ex-presidente Ernesto Geisel autorizou diretamente a execução de opositores da ditadura militar (1964-1985), divulgada em documentos da CIA publicados pelo governo americano.

Em nota, o Instituto Vladimir Herzog manifestou repúdio sobre as informações do documento liberado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, nos quais afirmam que o ex-presidente Ernesto Geisel aprovou a continuidade de uma política de execuções sumárias direcionada a quem protestava contra a ditadura militar. Em 2013, como parte dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV), a família conseguiu a retificação do atestado de óbito no qual consta que a morte do jornalista se deu em função de "lesões e maus tratos sofridos durante os interrogatórios em dependência do 2º Exército (DOI-CODI)".

Esse pedido foi assinado por Ivo Herzog que é filho do jornalista Vladimir Herzog, assassinado durante a Ditadura. Além deles, os generais Milton Tavares de Souza, comandante do Centro de Inteligência do Exército (CIE), e Confúcio Avelino, que assumiu o CIE em seguida, também sabiam das execuções. Nele, Colby detalha que Geisel, ao assumir o poder, foi informado de que 104 pessoas haviam sido mortas em 1973 pelo governo de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974).

São Paulo, 11 de maio de 2018.

Brasil não passou ditadura a limpoA presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, procuradora regional da República Eugênia Gonzaga, declarou também nesta sexta que o Brasil ainda não "passou a limpo" o período da ditadura militar.

Segundo Ivo, os novos registros da CIA revelam novos fatos sobre a participação do Estado na execução e tortura de opositores aos militares. Tais fatos foram expostos como fruto de pesquisas em materiais de arquivos preservados pelo Governo dos Estados Unidos da América.

"O senhor, assim como nossa família, sabe o que foi o terror e a violência promovida pela ditadura brasileira. Uma nação precisa conhecer a sua história oficialmente para ter políticas públicas que previnam que os erros do passado se repitam", diz a carta assinada pelo filho de Herzog e dirigida ao ministro Aloysio Nunes.

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