YouTube recolhe ilegalmente dados de crianças

YouTube recolhe ilegalmente dados de crianças

23 associações norte-americanas de defesa dos direitos digitais e de proteção da infância acusaram o YouTube e a Google, por ser a sua detentora, de recolher dados pessoais de crianças e os utilizar para direcionar anúncios de publicidade.

As associações consideram que as práticas da Google contrariam a lei de 1998 que proíbe sites destinados a crianças, ou que se sabe que estas os utilizam, de recolher e usar tais informações sem acordo dos respetivos pais - a "US Children's Online Privacy Protection Act", Coppa.

Ao todo, 20 grupos se uniram para mover uma ação contra a Google, exigindo das autoridades que a gigante da web seja investigada.

A demanda alega que o YouTube, utilizado nos EUA por cerca de 80% das crianças com entre 6 e 12 anos, segundo estudos recentes, usa esses dados para dirigir os anúncios aos menores através de sua plataforma e assim obter rendimentos econômicos. Desta vez, quem pode ser investigado é o Google.

O motor de busca mais famoso da internet se defendeu das acusações alegando que a plataforma YouTube é somente para maiores de 13 anos, uma justificativa que os denunciantes não veem com bons olhos. Afirmam também que existe uma aplicação do Youtube à parte da plataforma principal, destinada para crianças, que contém apenas conteúdo e publicidade próprias para menores.

YouTube e Google acusados de práticas ilegais

"Tal com o Facebook, a Google colocou os seus recursos a gerarem lucros em vez de protegerem a privacidade", disse Jeff Chester do Centro da Democracia Digital.

A demanda apresentada à FTC, de 59 páginas, indica que o YouTube "tem conhecimento real de que muitas crianças estão em sua rede, como comprovam as declarações públicas de seus executivos e a criação do aplicativo YouTube Kids", entre outras.

"O Google tem a responsabilidade de cumprir com a Coppa e garantir que as crianças possam ver de forma segura os programas desenhados e promovidos para elas. Essas práticas apresentam sérias preocupações que justificam a atenção da FTC", acrescentaram os querelantes.

Um porta-voz do Google afirmou que a denúncia não chegou nas mãos da empresa, mas que "é uma prioridade" do grupo "proteger as crianças e suas famílias".

O YouTube disse ao The New York Times que "avaliaria se há coisas que podemos fazer para melhorar", mas reiterou que "o YouTube não é para crianças" e direcionou os usuários mais jovens para o aplicativo YouTube Kids, que oferece mais conteúdo filtrado e controles parentais mais robustos.

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