"Vou atender porque quero fazer a transferência de responsabilidade" — Lula sobre prisão

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de chegar ao prédio da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, onde ele ficará preso e cumprirá a pena.

Depois de quase 48 horas aquartelado no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo e 26 horas após o término do prazo dado pelo juiz federal Sergio Moro, Lula se entregou à polícia na noite de ontem. "Eu gostaria que ele me mostrasse alguma coisa de prova", diz Lula.

"Vou atender o mandado deles, porque quero fazer a transferência de responsabilidade", disse.

"Ele (Lula) foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção".

Durante o ato, o petista conclamou os que estavam presentes a, de agora em diante, "virar Lula" e andar pelo país e mostrar o que é preciso fazer. "Somos Lula", disse. A frase "Eu sou Lula" foi ecoada na plateia.

A saída de Lula do sindicato, onde estava desde quinta-feira à noite, foi dramática. Num evento, cedo, neste sábado (7), em Foz do Iguaçu, no Paraná, Temer ressaltou, sem mencionar nomes, a importância do respeito à Constituição.

A Polícia Federal disponibilizou um jato para o deslocamento de Lula entre São Paulo e Curitiba. Após recurso de apelação ao Tribunal Regional Federal, Lula teve a pena aumentada pelos três desembargadores da 8ª Turma a 12 anos e um mês de cadeia.

O ex-presidente defendeu a regulamentação dos meios de comunicação.

"Eu não os perdoo por ter passado para a sociedade a ideia de que eu sou um ladrão". Às 20h46, o avião decolou para a terra da Lava Jato. "Tem que pegar bandido e prender", afirmou.

Apoiadores do ex-presidente dormiram a uma quadra do local. Sigmaringa é amigo pessoal, antigo articulador petista junto ao Judiciário e homem de confiança de Lula. Muitas pessoas choraram durante a cerimônia, especialmente com o discurso do ex-presidente.

A defesa do ex-presidente nega irregularidades e afirma que ele nunca foi dono do apartamento. "Quer votar de acordo com a opinião pública largue a toga e dispute a eleição". Continua a ser candidato, como garantia este domingo o partido, dizendo que cabe aos tribunais tirá-lo da corrida.

Enquanto seus adversários lançavam fogos de artifício e estouravam garrafas de espumante para comemorar, os manifestantes a favor de Lula foram dispersados pela polícia com gás lacrimogênio e balas de borracha, a poucos metros de distância. Foi na mesma linha com Manuela D'Ávila. "Um crime político", disse.

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