Temer diz que é perseguido e pede para investigar vazamento na PF

Temer diz que é perseguido e pede para investigar vazamento na PF

"Maristela deverá ser ouvida pelo delegado da Polícia Federal Cleyber Malta Lopes, responsável pelo inquérito dos Portos, em São Paulo". "Não tenho casa de praia, não tenho casa de campo, não tenho apartamento em Miami, não tenho vencimentos e salários a não ser aqueles dentro da lei", ressaltou. "E pude reformar", disse logo no começo do discurso, nitidamente contrariado. "Apresente os documentos aí referentes à doação que fez, referentes à compra que fez". "Como é que a imprensa consegue estas informações?" "Se pensam que atacarão minha honra, da minha família e vão ficar impunes, não ficarão sem resposta, como esta que estou dando agora", finalizou. "Os dados são fornecidos por quem preside o inquérito, quem comanda o inquérito, seja onde for e, naturalmente quando isso chega à imprensa, a imprensa divulga". "Então eu solicitarei, vou sugerir ao ministro Jungmann que apure internamente como se dão esses vazamentos irresponsáveis", concluiu o presidente.

O pronunciamento enfático de Temer no Palácio do Planalto não estava programado e ocorreu pouco antes de o presidente receber o presidente do Chile, Sebastián Piñera, em visita oficial.

As queixas de Temer são referentes a uma reportagem publicada nesta sexta-feira, pelo jornal Folha de S. Paulo, que revela que a Polícia Federal suspeita que ele tenha lavado dinheiro de propina por meio de reformas em casas de familiares e transações imobiliárias destinadas a ocultar bens. "Sei me defender, especialmente defender a minha família e meus filhos". Temer disse que sofre uma "perseguição criminosa disfarçada de investigação" e que, se pensam que vão derrubá-lo, "não vão conseguir".

"Só um irresponsável, mal-intencionado ousaria tentar me incriminar, a minha família, minha filha, meu filho de 9 anos de idade, como lavadores de dinheiro", declarou.

Nesta segunda fase, o objetivo dos investigadores é aprofundar a conexão entre os serviços prestados aos familiares de Temer e concluir a análise de material apreendido com alvos da operação Skala, deflagrada no fim de março. O coronel João Baptista Lima e o advogado José Yunes prestaram depoimentos, ainda sob sigilo, e foram soltos em seguida. "Nunca deu problema", afirmou o delator, como consta na decisão de abertura do inquérito.

Uma das obras investigadas é a reforma da casa da filha de Temer, Maristela Temer. E salientou que passará a responder diretamente a esse tipo de acusação. Quando das denúncias da JBS, Temer também disparou contra a PF. Tanto antes quanto agora, a instituição não se manifestou sobre as críticas.

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que o Decreto dos Portos abriu brecha para beneficiar empresas com contratos mais antigos e ainda não regulamentados.

Além disso, o texto amplia de 50 para 70 anos o tempo das concessões portuárias.

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