Telescópio Hubble encontra estrela mais distante já vista

Telescópio Hubble encontra estrela mais distante já vista

Kelly notou a estrela, apelidada Icarus pelos cientistas, enquanto monitorava uma supernova, também descoberta por ele em 2014, quando usava o telescópio espacial Hubble para estudar a lente gravitacional produzida por um maciço aglomerado de galáxias, designado MACS J1149+2223 e localizado a cerca de 5 bilhões de anos-luz da Terra na direção da constelação do Leão. Para capturar essa imagem inédita, pesquisadores do Instituto de Física de Cantabria, na Espanha, e da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, usaram um fenômeno natural que funciona como uma "lupa cósmica" para as lentes do Hubble. Para além do efeito criado pelo conjunto de galáxias, o brilho de Ícaro foi aumentado ainda mais por outra estrela, que se colocou no caminho, tornando-a duas mil vezes mais brilhante do que o normal e visível ao telescópio Hubble. "Podem ver-se galáxias individuais por aí, mas esta estrela está pelo menos 100 vezes mais longe do que a seguinte estrela individual que podemos estudar, com excepção das explosões de supernovas [estrelas que morrem]". E, de fato, após analisar a luz do objeto, eles verificaram que se tratava de uma estrela individual, de um tipo conhecido como supergigante azul. A Ícaro está localizada numa galáxia em espiral distante, tão longínqua que a luz demorou 9000 milhões de anos a chegar à Terra.

Olhar para esta estrela é voltar atrás no tempo. E foi justamente isso que aconteceu com a luz da estrela descrita pelos astrônomos em artigo publicado nesta segunda no periódico "Nature Astronomy". Na verdade, a equipa de cientistas que localizou Ícaro diz que a estrela está agora ainda mais longe do que estava quando foi avistada e que, por esta altura, pode já ter desaparecido, formando um buraco negro ou uma estrela de neutrões.

Um grupo de astrônomos apresentou na revista Nature Astronomy os resultados da sua recente pesquisa sobre a estrela mais distante já observada. Isso porque, embora uma grande "lente" como o aglomerado de galáxias só consiga amplificar a luz de um objeto atrás dele em até 50 vezes, "lentes" produzidas por objetos menores são capazes de uma magnificação bem maior se precisamente alinhadas com os objetos mais distantes.

Embora os astrônomos rotineiramente estudem galáxias ainda mais distantes que isso, elas só são visíveis graças ao brilho combinado de suas bilhões de estrelas. A tentativa foi frustrada: durante o voo aproximou-se demasiado do Sol e acabou por cair no mar Egeu.

Artigos relacionados