Câncer é primeira causa de morte em 10% dos municípios, diz estudo

Câncer é primeira causa de morte em 10% dos municípios, diz estudo

O Rio Grande do Sul é o Estado com o maior número de cidades - 140 no total - onde o câncer é a primeira causa de morte. Enquanto em todo o País as mortes por câncer equivalem a 16,6% do total, no território gaúcho esse índice chega a 33,6%. Segundo um levantamento do Observatório de Oncologia, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, a doença é hoje a principal responsável pelos óbitos em 10% dos municípios brasileiros. Um dos fatores que, segundo a pesquisa, pode explicar a alta incidência de câncer na região são as características genéticas da população, que pode apresentar maior predisposição para desenvolver um tipo de câncer. E a projeção do estudo é de que caso a trajetória seja mantida, em pouco mais de uma década os tumores serão responsáveis pela maioria dos óbitos em todo o país.

Entre os 26 Estados brasileiros, 24 apresentam ao menos uma cidade onde o câncer é a principal causa de morte.

Os dados mostram uma concentração maior das mortes em regiões mais desenvolvidas, justamente onde a expectativa de vida e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são maiores. No Nordeste, estão 9% dessas localidades (48); no Centro-Oeste, 34 (7%); e no Norte, 19 (4%). As cidades em questão concentram uma população de 6,6 milhões de pessoas. Onze municípios são considerados de grande porte, sendo Caxias do Sul (RS) o mais populoso deles, com quase meio milhão de habitantes.

Em 21 cidades, não houve registro de morte entre mulheres.

Com relação à idade, metade dos óbitos se concentra nas faixas de 60 a 69 anos (25%) e de 70 a 79 anos (25%). Em seguida, a maior proporção aparece no grupo com mais de 80 anos (20%).

O levantamento revela ainda que, em 2015, foram registradas 209.780 mortes por câncer no Brasil - um aumento de 90% em relação a 1998, quando foram registrados 110.799 óbitos pela doença. Crianças e adolescentes até 19 anos somaram 19% dos óbitos no mesmo ano. No estudo, uma das causas apontadas para o aumento da mortalidade por câncer são as dificuldades enfrentadas pelos pacientes entre o tempo para o diagnóstico da doença e o acesso ao tratamento. "Diversos tipos de câncer são preveníveis e outros têm seu risco de morte significativamente reduzido quando diagnosticado precocemente", destaca. O crescimento das mortes por neoplasias durante o período, segundo o relatório, foi quase três vezes mais rápido que o crescimento dos óbitos provocados por infartos ou derrames. Por isso, na avaliação do 1º secretário do CFM, Hermann von Tiesenhausen, os dados são alarmantes, mas ainda podem estar subnotificados. Aproximadamente 14 milhões de novos casos são registrados anualmente e o organismo internacional calcula que essas notificações devam subir até 70% nas próximas duas décadas. "É preciso envidar todos os esforços para conter essa epidemia e manter a obediência às diretrizes e aos princípios constitucionais que regulam a assistência nas redes pública, suplementar e privada no Brasil".

Artigos relacionados