Banco Central quer ver queda mais rápida dos juros bancários

Banco Central quer ver queda mais rápida dos juros bancários

São esperados 4,1% para 2019 e 4% para 2020.

Durante a audiência, Goldfajn também defendeu a autonomia do Banco Central, com a definição de mandatos para presidente e diretores da instituição. "Apesar de o cenário internacional encontrar-se ainda benigno, não podemos contar com essa situação perpetuamente", disse. O Brasil tem amortecedores robustos e está menos vulnerável a choques externos [.] O país precisa continuar no caminho de ajuste fiscal para manter baixa a inflação e a taxa de juros, bem como a recuperação da economia - afirmou.

Ilan Goldfajn avaliou que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve promover mais um corte na taxa básica de juros (Selic), que está em 6,5%, menor patamar histórico, para depois estabilizar o índice.

- Para reuniões além da próxima [prevista para maio], salvo mudanças adicionais relevantes, o comitê vê como adequada a interrupção do corte de juros. Os próximos vão depender da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação - informou. "Ou seja, botar na lei o que já existe na prática", disse. Caso aprovada, para Ilan, representaria um avanço importante para o Brasil, resultando na queda do risco país e do risco estrutural da economia.

O corte dos juros pelo Banco Central, portanto, tende a acelerar o crescimento econômico.

- A queda na Selic tem que vir associada à redução dos juros para as famílias. Para as empresas, tem de fato recuado, mas precisa de muito mais, para se dar um alento principalmente à classe média, que vive do cartão de crédito e no cheque especial. Somos a nona economia do mundo.

Ilan citou as ações que o BC tem tomado para atacar "de forma estrutural e não voluntariosa" todas as causas que tornam o custo de crédito alto no Brasil.

Os juros do crédito e o spread bancário, diferença entra a taxa de captação do dinheiro pelos bancos e a cobrada dos clientes, estão em tendência de queda, em consistência com a redução da taxa básica de juros, a Selic. Entretanto, ponderou ele, esse ritmo não está adequado.

"Isso não significa que estamos satisfeitos com a velocidade da queda da taxa de juros bancários". Por isso, reforçou o presidente do BC, "queremos redução mais rápida, para termos logo crédito mais barato". "Esse é um assunto da maior importância para nós, e o Banco Central tem se empenhado na implementação de ações para baixar o custo do crédito", declarou ele.

O presidente repetiu que para reduzir os juros bancários o BC está atacando todas as causas do custo elevado do crédito, como garantias, duplicata eletrônica, cadastro positivo, entre outras iniciativas. "Se houver condições de não precisarmos desse seguro, as reservas devem ser usadas para abater dívida", disse Goldfajn, acrescentando que, no futuro, é importante que as reservas não sejam usadas para gastos e sim para reduzir o tamanho da dívida pública.

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