Rompimento em mineroduto atinge manancial em Minas Gerais

Rompimento em mineroduto atinge manancial em Minas Gerais

A contaminação provocada pelo rompimento de tubulação de mineroduto em Santo Antônio do Grama, na Região da Zona da Mata, deve chegar a Rio Casca, na mesma região, ainda na noite desta segunda-feira. Segundo a companhia, o abastecimento foi interrompido às 10h, antes da chegada da mancha de minério ao ponto de captação no córrego Santo Antônio, que ocorreu às 13 horas. De acordo com a Anglo American, durante 25 minutos, vazaram cerca de 300 toneladas de polpa.

A captação de água foi interrompida pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que está monitorando a situação e também fará a identificação de alternativas de captação e abastecimento. "A empresa está providenciando caminhões pipa para garantir o fornecimento de água para a população afetada e continuará prestando todos os atendimentos que se fizerem necessários". A companhia esclarece que a medida é emergencial e pede à população que adote um consumo consciente.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), não há registro de vítimas ou desalojados. Não foram fornecidas informações sobre possíveis penalidades à empresa por parte do órgão estadual ambiental. A Semad também solicitou à empresa que apresente um comunicado com as ações em desenvolvimento.

Santo Antônio do Grama está na microrregião de Ponte Nova.

A chefe de gabinete da Prefeitura de Santo Antônio do Grama informou que ainda não tem detalhes do ocorrido, mas o que se sabe é que o ribeirão teria sido contaminado com o rompimento e que não houve transbordamento.

Na última quinta (8), o Ministério Público de Minas Gerais ajuizou ação civil pública pedindo à Anglo American ressarcimento de R$ 400 milhões por danos coletivos e sociais causados à população de Conceição do Mato Dentro na implantação do projeto. "A prioridade é garantir as medidas de controle e mitigação dos impactos socioambientais", afirmou a mineradora em nota à reportagem. Houve vazamento de polpa em um dos córregos da região, que consiste em 70% de minério de ferro e 30% de água, sendo classificada pela NBR 10.004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como resíduo não perigoso.

A mineradora afirma que o fluxo do mineroduto foi interrompido e, neste momento, apenas água está sendo escoada. "A Anglo American também já está coordenando ações em conjunto com a Suatrans, consultoria especializada no atendimento a urgências ambientais, e com o Senai, para amostragens de água e avaliação continuada".

"Equipes da Copasa e do Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) da Semad já estão a caminho do local para averiguar a situação e determinar medidas ambientais cabíveis", informou a secretaria. "Somente após a vistoria o instituto poderá avaliar as consequências ao meio ambiente e emitir eventuais sanções administrativas".

Por meio de nota, o Ibama disse que a licença de operação é válida até 2021 e não será suspensa.

De acordo com o Ibama ainda não foi possível confirmar contaminação na água.

Artigos relacionados