Lava Jato prende coronel da PM e delegado chefe das Especializadas

Lava Jato prende coronel da PM e delegado chefe das Especializadas

A delação é reforçada por relatórios de inteligência da Receita Federal e do Coaf e pela colaboração dos sócios da concessionária de veículos Dirija.

Mesmo com a identificação das irregularidades, o ex-secretário de Administração Penitenciária César Rubens de Carvalho autorizou prorrogações de contrato com a Iniciativa Primus. Segundo Luiz Henrique Casemiro, superintendente-adjunto da 7ª Região Fiscal da Receita, a percepção é que este foi um teste para driblar os órgãos públicos de controle financeiro.

De acordo com ele, o grupo movimentou R$ 300 mil em quatro operações em bitcoin.

O juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio, decretou a prisão de Paiva na Operação Pão Nosso, mas ele não foi encontrado. "A ideia era tentar receber dinheiro no exterior usando esse instrumento que não é regulado na maior parte dos países", afirmou.

Aos acusados, estão sendo imputados os crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, fraude em licitação e peculato.

As investigações partiram de irregularidades no projeto Pão-Escola, que tinha como objetivo a ressocialização dos presos.

De acordo com a investigação, uma organização sem fins lucrativos chamada Iniciativa Primus instalou máquinas para a fabricação de pães dentro do presídio, usou a mão de obra dos presos, energia elétrica, água, ingredientes fornecidos pelo estado - ainda cobrava pelo pãozinho.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Felipe Paiva.

O delator premiado Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, ex-coletor da propina de Sérgio Cabral, contou à Justiça que recebia a parte do ex-governador no esquema na sede do Iate Clube do Rio de Janeiro, onde pelo menos dois dos envolvidos tinham barcos de pesca oceânica.

Para receber a propina, ressaltam os procuradores, César Rubens utilizaria duas empresas das quais era sócio, a Intermundos Câmbio e Turismo e a Precisão Indústria e Comércio de Mármores. O sócio de César Rubens na Precisão é Marcos Lips, apontado como responsável pela entrega de dinheiro em espécie ao núcleo central da organização criminosa que operava no estado na gestão de Sérgio Cabral. No momento da prisão, o delegado Marcelo Martins não atendeu ao toque da campainha dos agentes. A Esch Café já foi alvo de uma investigação que apontava um esquema de fraude no fornecimento de pães e lanches para presídios, que foi revelado pela TV Globo. A operação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Receita Federal do Brasil.

"Palavras como doleiros, contratos com governo, laranja e lavagem de dinheiro são comuns nessa operação".

"O patrimônio de César Rubens cresceu exponencialmente durante o período em que foi secretário da SEAP".

O DIA mostrou que na gestão de oito anos de César Rubens os preços com a alimentação disparam na mesma proporção que despencam os gastos com a Saúde e a Educação dos presos, segundo estudo do Tribunal de Contas do Estado, que analisou as contas da Seap em cinco dos oito anos administrados por César Rubens.

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