Protestos contra governo se espalham pela Tunísia

Protestos contra governo se espalham pela Tunísia

Nesta sexta-feira, manifestações foram mais tranquilas, com somente 200 pessoas protestando pacificamente na capital, disse uma testemunha.

Coquetéis molotov foram lançados contra a escola na ilha turística de Djerba, lar de uma antiga comunidade judaica, e causaram alguns danos, mas não deixaram feridos, disse nesta quarta-feira, 10, o líder da comunidade judaica local, Perez Trabelsi. "Pessoas desconhecidas usaram a oportunidade dos protestos e lançaram coquetéis molotov no saguão de entrada de uma escola religiosa judaica em Djerba", disse Trabelsi.

Em declarações às rádios locais, o porta-voz do Ministério do Interior da Tunísia, Khlifa Chibani, deu conta de pilhagens, incluindo a um supermercado nos subúrbios da capital, Tunes.

Estes incidentes são o reflexo do aumento do descontentamento social na Tunísia, em particular contra o aumento do IVA e das contribuições sociais, em vigor desde 01 de janeiro, no âmbito de um orçamento de austeridade para 2018.

Sete anos após uma revolução que exigia trabalho e dignidade e derrubou o ditador Zine el Abidine Ben Ali, na semana passada explodiram manifestações em Túnis.

Ele destaca que muitos edifícios públicos, símbolos do Estado, foram atacados, e o governo "ainda não se posicionou com firmeza contra os manifestantes". Os enfrentamentos com as forças de segurança pioram depois que um homem de 55 anos morreu na segunda à noite durante a repressão policial de um protesto ocorrido em Tebourba, cerca de 40 quilômetros ao oeste de Túnis. Ainda há uma discussão sobre as causas da morte do indivíduo, que está sendo considerado um "mártir" pelos manifestantes. A polícia nega que o tenha morto.

A inflação ultrapassou 6% no final de 2017, enquanto a dívida pública e o déficit comercial atingiram níveis preocupantes.

O mês de janeiro é tradicionalmente marcado por protestos na Tunísia desde a revolução de 2011. O contexto é especialmente tenso este ano, em vista da celebração em maio das primeiras eleições municipais desde a Primavera Árabe.

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