Particulares financiam 10% da dívida pública a emitir em 2018

Particulares financiam 10% da dívida pública a emitir em 2018

Foi uma corrida à dívida portuguesa na primeira operação de financiamento do ano.

A necessidade líquida do país para este ano é de 10,9 mil milhões de euros, valor inferior aos 12,4 mil milhões de 2017.

Estão ainda previstos leilões de BT a 21 de fevereiro e a 21 de março, com os montantes indicativos a superarem os 1000 milhões de euros.

Um montante que é superior aos 15 mil milhões de euros que Portugal quer ir buscar aos mercados, através de obrigações do Tesouro, no total do ano.

"Foi uma emissão muito boa para o Estado português, com uma procura muito forte, com uma taxa baixa para um prazo longo", disse Filipe Silva, diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa, citado num comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso. "Daí a procura ter sido muito superior à oferta", comentou o especialista. Falta apenas a oficialização da operação pelo Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP). Mais de metade da emissão foi absorvida por estas entidades, que tendem a deter a dívida por prazos mais longos, o que permite uma maior estabilidade no mercado, segundo dados da operação divulgados pelo IGCP. Já os fundos de cobertura de risco, que têm estratégias mais agressivas e de curto prazo e podem desestabilizar o mercado de dívida com as suas movimentações perderam importância no financiamento do Estado.

Geralmente, Portugal faz uma emissão deste tipo por ano.

Uma emissão, através de leilão, feita em novembro implicou uma taxa de 1,939%. A taxa tinha ficado em 1,939% para colocar 1,25 mil milhões de euros. "A comparação com a anterior emissão 10 anos serve de referência, mas não totalmente, porque a dívida emitida hoje vence-se em outubro de 2028, ou seja, daqui a 10 anos e 10 meses. Dez meses fazem alguma diferença, o que também está refletido na taxa, que saiu em linha com o mercado e em linha com os spread de emissões que vencem entre 2025 e 2030".

Assim, fica determinado que o IGCP poderá emitir até 20 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro, cuja maturidade não pode exceder os 50 anos, explica o documento publicado. Na altura, pagou um juro de 4,227% para obter 3000 milhões. As condições da operação deverão ser determinadas esta quarta-feira, 10 de janeiro, dia em que a emissão será concretizada. Pretende garantir entre 1,5 mil milhões e 1,75 mil milhões em bilhetes do Tesouro.

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