Mulheres de Hollywood criam fundo legal contra abusos sexuais

Mulheres de Hollywood criam fundo legal contra abusos sexuais

"Com muita frequência, o assédio persiste porque os perpetradores e os empregadores nunca enfrentam nenhuma consequência", expressaram as promotoras do plano em uma carta aberta publicada no site do grupo, assim como em um anúncio de página inteira no The New York Times e no jornal em espanhol La Opinión.

O movimento se formou depois de que uma avalanche de acusações pôs fim à carreira de homens poderosos do entretenimento, dos negócios, da política e dos meios de comunicação, provocada pelo escândalo de má conduta sexual do produtor de Hollywood Harvey Weinstein. "Ambas as coisas chamaram ampla atenção para a existência desse problema [os crimes sexuais] na nossa indústria, [uma atenção] que mulheres camponesas e incontáveis mulheres empregadas em outras indústrias não tiveram", diz o texto.

"Também reconhecemos nosso privilégio e o fato de que temos um enorme acesso à plataformas para amplificar nossas vozes".

A carta pede que mais mulheres assumam posições de liderança e poder em todas as indústrias, além de exigir representação igualitária e oportunidades, benefícios e pagamentos justos para mulheres em todos os setores - "sem falar de maior representação de mulheres negras, imigrantes e lésbicas, bissexuais e transgêneros, cujas experiências no local de trabalho frequentemente são significativamente piores que as de seus pares brancos, cisgêneros [que mantiveram o gênero definido após o nascimento] e heterossexuais", constatam as autoras.

O grupo também se aliou à Alianza Nacional de Campesinas, uma organização que combate o abuso sexual contra as mulheres - em sua maioria, de ascendência latina - que trabalham na indústria agrícola dos EUA.

A campanha, que conta com o apoio de mulheres famosas de Hollywood como Natalie Portman, Reese Whiterspoon, Cate Blanchett, Eva Longoria e Emma Stone, já angariou mais de 13 milhões de dólares (10,8 milhões de euros); o objetivo é chegar aos 15 milhões (12,45 milhões de euros).

Além do fundo de defesa legal, a iniciativa procura impulsionar legislação para penalizar as companhias que não tomem medidas contra o assédio sexual persistente, e trata também de fomentar a igualdade em Hollywood, em uma tentativa de conseguir a paridade nos estúdios de cinema e agências de talento.

A campanha também pede às mulheres que desfilarão em 7 de janeiro pelo tapete do Globo de Ouro que gerem consciência sobre o movimento ao se vestir de preto.

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