Donald Trump ameaça cortar a ajuda financeira aos palestinianos

Donald Trump ameaça cortar a ajuda financeira aos palestinianos

Na terça-feira, Trump ameaçou cortar a ajuda financeira dos Estados Unidos à Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) por se recusar a participar no processo de paz no Médio Oriente, depois de Washington ter reconhecido, a 06 de dezembro, Jerusalém como a capital de Israel.

A decisão de Trump provocou uma onda global de indignação e protesto.

Hanan Ashrawi, membro do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina declarou que não sucumbirão à "chantagem" dos EUA, informou a agência AFP.

"Com os palestinianos sem qualquer vontade de falar de paz, por que lhes deveremos fazer qualquer um destes imensos pagamentos futuros?", escreveu o Presidente norte-americano.

Para o presidente palestino, Mahmud Abbas, com esse gesto os Estados Unidos perdeu a capacidade de servir como mediador para eventuais negociações com Israel.

Em 2016, os Estados Unidos depositaram 319 milhões de dólares de ajuda aos palestinos por meio de sua agência de fomento ao desenvolvimento (USAID), segundo dados disponíveis no site da agência. Agora, eles não vêm para a mesa mas pedem apoios.

Donald Trump não especificou quais os auxílios a que se refere na sua mensagem no Twitter.

Por sua vez, dois ministros israelenses comemoraram as declarações do presidente americano. Além disso, sublinhou que Washington não tem recebido "qualquer estima ou respeito" em troca dessa ajuda externa.

O Governo israelita apoiou as declarações de Trump, elogiado pela ministra da Cultura, Miri Regev, como um Presidente "que diz o que pensa e não recorre a subterfúgios diplomáticos sem significado". Em uma sequência de mensagens, Trump apontou que seu governo "retirou da mesa (de negociação) Jerusalém, o aspecto mais difícil da negociação".

Em 21 de dezembro, a Assembleia Geral da ONU aprovou por ampla maioria (128 votos a favor, 9 contra e 35 abstenções) uma resolução de condenação à decisão de Trump, um voto que despertou a ira da Casa Branca. "Ao reconhecer Jerusalém ocupada como capital de Israel, Trump não só violou a lei internacional, como destruiu as bases da paz, aceitando a anexação ilegal da cidade por Israel", sustentou.

Desde a criação de Israel em 1948, a comunidade internacional considera que o estatuto de Jerusalém deve ser negociado entre israelenses e palestinos.

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