Brasileiro revela que planejou prisão na Venezuela

Brasileiro revela que planejou prisão na Venezuela

O governo da Venezuela afirma que o brasileiro é membro de uma organização criminosa e presidia uma ONG de fachada.

"Queremos deixar claro que a família enviou todos os esforços para a libertação de Jonatan, o que além de um ato de amor, era sua obrigação moral".

O gaúcho contou ainda que, durante o período preso, não pôde sair da cela para tomar banho de sol, mas apenas para "assinar mais papelada" e "ser chamado de estafador [estelionatário, em espanhol] e agente da CIA". "Inclusive me mandaram ficar nu na frente de todos os detentos sem a mínima lógica na noite que cheguei", continuou.

Jonatan afirma que foi preso quando estava na praia, bebendo com amigos, e detido por um homem que não estava caracterizado como policial.

"Se eu fui para lá e fui, é porque incitei ser preso". "Me tirou da praia me ameaçando com a arma [.]. Ele fez diversas acusações falsas a meu respeito dizendo que eu era da CIA, que eu estava lá usando fotos de crianças da Venezuela para ganhar dinheiro a custa de outros", disse.

Logo que ele foi preso, algumas celebridades, além de autoridades brasileiras, usaram o caso para denunciar a "ditadura” bolivariana e violações de direitos humanos que supostamente estariam acontecendo na Venezuela".

"De 11 dias, me deram comida somente dois ou três dias". Na sua página do Facebook, o catarinense havia relatado ter sido forçado a ficar nu em frente aos outros presos e não ter recebido comida durante vários dias.

"O que eu vou falar aqui é bomba", diz Jonatan no começo da gravação. "Tentaram colocar terror psicológico falando que eu poderia ficar lá tanto um como mil dias, que ninguém havia me procurado e que ninguém nem se quer sabia de minha prisão", conta.

No comunicado, a família de Diniz agradece pela mobilização dos brasileiros enquanto o jovem catarinense estava preso.

No entanto, ele destaca também que na cela havia regalias e foi bem tratado pelos presos.

De início ele discorda que chamem o governo de Nicolás Maduro de ditadura porque este é "um apelido dado pela oposição”, e em seguida conta que sua viagem à Venezuela foi planejada justamente para provocar esta prisão e chamar a atenção da imprensa". Sem informações sobre seu paradeiro, o Itamaraty chegou a considerá-lo desaparecido.

Jonatan esclareceu também que um dia antes de sua liberação, foi encaminhado ao Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiro (Saime), local onde foi obrigado a assinar sua expulsão. Entretanto, a família jamais imaginou que sua prisão fosse resultado de um ato premeditado. Ele diz que não foi autorizado a voltar ao Brasil quando foi deportado.

"Mudaram meu voo do Brasil para EUA porque alegaram que eu deveria voltar de onde eu vim e não de meu país de origem, decidiram isso de última hora, não foi minha opção. Tomei meu vôo direção Miami e logo direção Los Angeles", diz. Mas como o próprio Jonatan confessa, além de ter incitado um crime para ser levado preso, ele não sofreu nenhum tipo de maus tratos.

Diniz foi expulso da Venezuela, proibido de retornar ao país por 10 anos e obrigado a voltar por onde havia entrado, ou seja, pelos EUA.

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