Brasil e EUA conversam sobre parceria — Embraer e Boeing

Brasil e EUA conversam sobre parceria — Embraer e Boeing

A manifestação da empresa brasileira ocorreu em resposta a questionamentos da CVM quanto a notícia publicada pelo jornal "Folha de S. Paulo", repercutindo a possível fusão entre as companhias.

Segundo um operador do mercado brasileiro ouvido pelo Estadão/Broadcast, o valor de US$ 28 por ADR não inclui prêmio estratégico para a aquisição.

O governo brasileiro detém uma ação especial (chamada de golden share) da Embraer desde a privatização da companhia, em 1994.

Segundo o jornal americano, além de acordar sobre os termos do preço, a Boeing está em tratativas com a Embraer e com as autoridades do Brasil para tentar reverter as preocupações do governo do País sobre o negócio.

Os governos Michel Temer e Donald Trump abriram conversas sobre uma eventual parceria comercial entre a Embraer e a Boeing, que podem incluir as áreas civil e militar das duas empresas. Essa ação lhe dá direito de veto em decisões importantes, como a criação de programas militares e a transferência do controle acionário.

A empresa brasileira e a americana trabalham juntas desde 2011 no desenvolvimento de pesquisas e, desde 2016, na comercialização do KC-390, aeronave de transporte militar desenvolvida pela Embraer. O sinal verde do Planalto pode viabilizar todas que não coloquem em xeque o controle da Embraer.

Já a Boeing poderia ganhar ao ampliar sua equipe de engenheiros com os profissionais mais jovens da Embraer - o time da americana tem idade mais avançada, com muitos empregados próximos à aposentadoria. Do lado da brasileira, uma das vantagens seria a possibilidade de ter todos os seus modelos de aeronave comercializados pela empresa americana, que tem uma força de vendas maior.

Foi justamente a formação de uma joint venture - entre as também fabricantes de aviões Bombardier e Airbus - um dos propulsores das conversas entre Embraer e Boeing. Um dos motivadores é que elas não têm produtos concorrentes e podem somar os portfólios.

Procuradas, as empresas informaram que não comentam as negociações.

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