Autoeuropa pode mudar-se para Marrocos, avisa Mira Amaral

Autoeuropa pode mudar-se para Marrocos, avisa Mira Amaral

"Se não houver juízo, a Autoeuropa está em situação de desvantagem em relação a outras fábricas que ficariam encantadas por receber novas produções", aponta Mira Amaral, sublinhando em particular o caso de Marrocos que "está a ter uma expansão fabulosa e tem recebido investimentos da indústria automóvel europeia".

"A empresa tem que suportar qualquer despesa de acréscimo que os trabalhadores podem vir a ter, por exemplo por os seus filhos tiverem que ficar ao sábado numa ama ou infantário".

O líder da CGTP respondeu a Mira Amaral, que criticou os trabalhadores da CGTP por não quererem "trabalhar ao sábado". Por seu lado, a administração da fábrica só pretende negociar os novos horários de laboração contínua, horários esses que deverão ser implementados a partir do mês de agosto.

Sindicatos afectos à CGTP/Intersindical acusaramhoje a Autoeuropa de querer pagar os sábados como trabalho normal, mas a administração da empresa garante que nunca retirou a proposta que prevê o pagamento dos sábados como trabalho extraordinário. "Não querem trabalhar ao sábado?"

As declarações de Eduardo Florindo em conferência de imprensa realizada na sequência das reuniões efectuadas na terça-feira com a administração da empresa, e hoje de manhã com a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, foram corroboradas pelo dirigente da Fiequimetal, Rogério Silva, que diz ter havido a assunção, por parte da empresa, de que os sábados seriam pagos como um dia normal de trabalho. Pelo amor de Deus. "A VW faz um investimento fabuloso num produto que já se sabe que vai ter grande aceitação".

Mira Amaral refere que teme pelo futuro da empresa em Portugal e lembra aos trabalhadores que devem "perceber que a Autoeuropa compete com outras fábricas do grupo alemão".

A Autoeuropa estima produzir mais de 240 mil veículos Volkswagen T-Roc em 2018, quase triplicando a produção de 2016, o que levou a empresa a contratar cerca de dois mil novos trabalhadores e a implementar um sexto dia de produção, aos sábados, até Julho deste ano.

Eduardo Florindo defendeu que é possível "a administração criar as condições para implementação do horário de transição até às férias em regime voluntário" e não obrigatório como está previsto pela administração.

No final do ano passado, a administração da Autoeuropa anunciou a intenção de avançar unilateralmente com o novo horário transitório, após a rejeição de dois pré-acordos negociados previamente com duas Comissões de Trabalhadores.

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