Alimentos mais baratos explicam IPCA abaixo do piso da meta, diz BC

Alimentos mais baratos explicam IPCA abaixo do piso da meta, diz BC

Em carta aberta para explicar o descumprimento do intervalo mínimo da meta, Goldfajn diz que o Banco Central foi surpreendido pelo comportamento dos preços dos alimentos no domicílio.

O BC aponta que a inflação medida pelo IPCA situou-se ligeiramente abaixo do limite inferior da meta em razão da deflação de preços de alimentação no domicílio, que encerrou 2017 com deflação de 4,85%, refletindo, preponderantemente, as condições de oferta, que permitiram níveis recodes de produção agrícola.

De acordo com a autoridade monetária, a inflação do subgrupo alimentação no domicílio encerrou 2017 com deflação (retração de preços) de 4,85%, a maior deflação da série histórica do IPCA, que começa em 1989, e a primeira deflação nesses itens desde 2006.

O decreto nº 3.088, de 21 de junho de 1999, que estabelece o sistema de metas para a inflação como diretriz para a fixação do regime de política monetária, determina que, no caso de descumprimento da meta, o presidente do Banco Central divulgue publicamente as razões para tal. Ele detalhou que se o subgrupo fosse excluido do cálculo, a carestia teria terminado o ano em 4,54%. "O último, em particular, tinha sido mais difícil de cultivar, mas, ao assumir a cadeira do presidente do Banco Central, os mercados se sentiam confortáveis com o que estava por vir". Ele lembrou que, no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de dezembro do ano passado, as projeções já apontam aumento da inflação ao longo de 2018. Segundo ele, o IPCA já tem trajetória de retorno à meta em 2018, destacando que já no primeiro trimestre deste ano o cenário é que ela retorne, no acumulado em 12 meses, para a banda de tolerância, ao marcar 3,2%.

Para o BC, "não cabe inflacionar os preços da economia sobre os quais a política monetária tem mais controle para compensar choques nos preços dos alimentos". "A política monetária deve combater o impacto dos choques nos outros preços da economia (os chamados efeitos secundários), de modo a buscar a convergência da inflação para a meta", destacou o documento. A Selic diminuiu 7,25 ponto percentual e chegou a 7,0% ao ano, o menor nível da História.

Na conclusão da carta, Goldfajn afirmou que o BC tem tomado as providências para que a inflação atinja as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5% em 2018, 4,25% em 2019 e 4,00% em 2020.

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