Agência S&P rebaixa nota de crédito do Brasil. Mercado aguarda novos rebaixamentos

Agência S&P rebaixa nota de crédito do Brasil. Mercado aguarda novos rebaixamentos

A agência afirmou em nota na noite desta quinta-feira que o governo Temer teve avanços políticos, mas que está demorando para tomar medidas que corrijam o problema fiscal, ou seja, o problema de arrecadação e gastos, e que essa questão é uma das principais fraquezas na classificação do Brasil. O país está agora três degraus abaixo do grau de investimento (concedido a países que são considerados bons pagadores).

"Aliado ao sucesso da política monetária e solidez das contas externas, (o conjunto de medidas) fundamentou a alteração da perspectiva da nota de crédito de negativa para estável", disse o ministério.

O rebaixamento pela S&P era esperado nas últimas semanas, à medida que falharam as negociações no Congresso para aprovação da reforma da Previdência no final do ano passado.

Em 2015, as três principais agências de classificação, a S&P, a Moody's e a Fitch realizaram sucessivos cortes na nota de crédito soberano do Brasil.

A agência ainda apontou que "ocorreram retrocessos até mesmo medidas fiscais de curto prazo, como uma determinação para suspender o adiamento das altas de salários dos funcionários públicos e as contribuições de segurança social dos trabalhadores do setor público".

Em maio do ano passado, a agência chegou colocar o Brasil em observação para um iminente rebaixamento após as delações dos irmãos Batista envolvendo Temer, mas em agosto retirou o alerta e manteve o rating do país em moeda estrangeira e local em "BB" e em perspectiva negativa. Para a pasta, a agência está "corroborando as propostas da equipe econômica". A agência justificou que os ajustes do governo de Temer "não são suficientes".

O rating, ou classificação de risco, é uma nota dada a um país, uma empresa ou a uma operação financeira para avaliar o risco de crédito.

"A perspectiva estável reflete nossa visão do comparativamente sólido perfil externo do Brasil, e a flexibilidade e credibilidade de suas políticas monetárias e de câmbio ajudam a ancorar o rating 'BB-' no próximo ano, equilibrando as fraquezas econômicas e fiscais e a incerteza sobre as eleições presidenciais de 2018". Para 2017 e 2018, a previsão do governo é fechar as contas com rombo de quase R$ 160 bilhões.

A agência citou ainda as turbulências políticas como fator que piora as perspectivas, fazendo alusão à Lava Jato.

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