'Doping' atira Rússia para fora dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018

'Doping' atira Rússia para fora dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018

O Comité Olímpico Internacional decidiu esta terça-feira suspender o Comité Olímpico Russo com efeito imediato tendo em conta o acumular de provas relativas à existência de um sistema de doping com apoio das autoridades no país.

A decisão do COI foi anunciada nesta terça-feira, 5, a 66 dias do início da competição.

As conclusões do Relatório Schmid, tanto em aspetos fatuais quanto jurídicos, confirmaram "a manipulação sistémica das regras e sistemas antidoping na Rússia, através da Metodologia Positiva Desaparecida e dos Jogos Olímpicos de Inverno Sochi 2014, bem como dos vários níveis de responsabilidade administrativa, jurídica e contratual, resultante da falta de respeito das respetivas obrigações das diversas entidades envolvidas", afirma o COI numa nota divulgada no seu site oficial.

- Pretendemos defender os interesses de nossos atletas, da Federação Russa; continuar comprometidos com os ideais do olimpismo e preservar todos os laços com o COI; e por meio destes laços os problemas que têm surgido serão resolvidos - disse Peskov aos repórteres em uma videoconferência. "Em minha opinião, é preciso verificar o que se esconde por detrás dessa decisão, e essa investigação deveria ficar a cargo de países neutros, de modo a assegurar a lisura da verificação". A decisão, no entanto, não atinge os atletas comprovadamente fora do escândalo de doping, que poderão competir pela bandeira olímpica.

- Este é um ataque sem precedentes a integridade dos Jogos Olímpicos e do esporte. Atualmente, Mutko é chefe do comité organizador local do Campeonato do Mundo de 2018, presidente da federação russa de futebol e vice-primeiro ministro do país.

Antes do COI, a Federação Internacional de Atletismo (Iaaf) já havia suspendido a federação russa em 13 de novembro de 2015 após a revelação de um esquema de doping acobertado por autoridades.

O comitê olímpico responsabilizou a Rússia baseado no mesmo relatório, encomendado pela Agência Mundial Antidoping (Wada) há dois anos e meio. No fim, somente o atletismo puniu com dureza a Rússia, que acabou viajando ao Brasil com uma delegação bem menor do que o esperado (276 dos 387 atletas previstos). O momento é delicado para Putin, que protagonizará as eleições presidenciais no país em março de 2018.

O presidente do COI, o alemão Thomas Bach, minimizou a possibilidade de um boicote russo.

As últimas semanas no desporto russo foram marcadas pela desqualificação de mais de vinte atletas pelo uso de doping durante os Jogos de Inverno de 2014, em Sochi.

"Um boicote nunca resolveu nada", lembrou Bach, nesta terça-feira.

Artigos relacionados