Unicef: violência mata uma criança e um adolescente a cada 7 minutos

Unicef: violência mata uma criança e um adolescente a cada 7 minutos

Cidade do Vaticano (RV) - O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou, nesta quarta-feira (01/11), um novo relatório sobre a violência infantil em todo o mundo, intitulado "Um rosto familiar: a violência na vida de crianças e adolescentes".

O estudo se baseou em dados de 2015 da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde e revela também que, a cada 7 minutos, uma criança ou adolescente morre vítima de violência no mundo. Desses óbitos, 24,5 mil foram registrados na América Latina e no Caribe. Estas duas regiões abrigam 6% das crianças e adolescentes de 10 a 19 anos do mundo, mas concentram 70% das mortes nessa faixa etária em decorrência de guerras.

A representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, declarou que o índice de homicídios representa um problema muito maior de violência, que é vivenciado desde a primeira infância. Somente em 2015, a violência vitimou mais de 82 mil meninos e meninas nessa faixa etária. Já entre as meninas, Síria (224,1), Iraque (84), Afeganistão (34,2) Sudão do Sul (15,9) e Somália (10,1) são os países que concentram a maior proporção de mortes resultantes de conflitos e violência coletiva. De acordo com o relatório, três quartos das crianças de 2 a 4 anos do mundo - cerca de 300 milhões - sofrem agressão psicológica e/ou punição física tendo como autores os seus cuidadores. Em todo o mundo, uma a cada quatro crianças com menos de cinco anos - 177 milhões - vive com uma mãe vítima de violência doméstica.

Já com relação à violência sexual, cerca de 15 milhões de adolescentes meninas, de 15 a 19 anos, foram vítimas de relações sexuais ou outros atos sexuais forçados em todo mundo, e apenas 1% delas disseram que buscaram ajuda profissional. Nos 28 países com dados disponíveis, em média 90% afirmaram que o responsável pelo primeiro incidente do tipo era um conhecido.

O Brasil, no entanto, também é citado como um dos 59 países que têm uma legislação que proíbe o castigo físico. Só 9% das crianças de até 5 anos no mundo moram em locais onde esse castigo é totalmente vetado.

Mudar a cultura dos adultos e alterar os fatores que contribuem para a violência contra crianças e adolescentes, incluindo desigualdades econômicas e sociais, normas sociais e culturais que aceitam a violência, políticas e legislação inadequadas, serviços insuficientes para as vítimas e investimentos limitados em sistemas efetivos para prevenir e responder à violência.

"Há uma alta probabilidade de que crianças vítimas ou expostas à violência a usem também para solucionar conflitos quando se tornarem adultas", conclui a pesquisa.

Aperfeiçoar a coleta de dados desagregados sobre violência contra crianças e adolescentes.

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