Temer já admite saída de ministros do PSDB do governo

Com o acirramento da pressão interna do PSDB pelo desembarque de seu governo, o presidente Michel Temer admite a saída antecipada dos ministros tucanos e a redistribuição dessas pastas para aplacar a insatisfação de outras siglas da base aliada. Não só por causa da pressão do grupo que forma o chamado "Centrão", que quer o PSDB fora e tem mantido um bom índice de fidelidade a Temer, mas também porque, se não fizer nada, Temer corre o risco de ser atropelado pelo desembarque dos tucanos.

Numa conversa franca, o presidente Michel Temer foi alertado nesta quarta-feira (8) pelo líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), de que deveria honrar a promessa e fazer mudanças no primeiro escalão do governo.

Os deputados do centrão cobram reconhecimento de Temer pelos votos que deram para barrar a denúncia em ano pré-eleitoral e esperam uma sinalização do presidente para que ganhem "coragem" de colocar novamente o pescoço na corda ao aprovar a impopular reforma da Previdência.

Já o senador Aécio Neves e os ministros Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Aloysio Nunes (Relações Exteriores) são os principais nomes a favor da permanência.

Agora, o Palácio do Planalto entende que a melhor estratégia será aceitar a demissão dos ministros tucanos o quanto antes - possivelmente ainda este ano - para usar esses espaços com o objetivo de evitar a rebelião do centrão. O deputado, contudo, disse que, se as trocas não forem feitas agora, isso pode inviabilizar a aprovação da reforma da Previdência Social, assim como de outros temas de interesse do governo.

Na avaliação de auxiliares de Temer, o desembarque é considerado inevitável devido à consolidação do senador Tasso Jereissati (CE) na disputa pelo comando do PSDB e do governador Geraldo Alckmin (SP) como virtual candidato à Presidência da República. Se Temer já não precisa mais do PSDB, o PSDB também não quer mais ser identificado com o governo do PMDB.

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