PF revolve a lama no MS

PF revolve a lama no MS

"Ele declarou ainda que recebia os valores de proprina e entregava ao ex-governador André Puccinelli em espécie ou por depósito em conta", detalhou o auditor fiscal.

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (14) a quinta fase da Operação Lama Asfáltica, batizada de Papiro de Lama.

A segunda empresa envolvida no esquema, segundo informações da superintendência da CGU e Polícia Federal, é a concessionária Águas Guariroba que realizaria pagamentos desde 2011 e mesmo com o fim do mandato de Puccinelli em 2014, continuou a pagar quantias embutidas em compra de uma estação de tratamento de esgoto em Dourados (fora da região de atuação da empresa), compra de livros da editora Alvorada e pagamento de serviços jurídicos para escritório de advocacia, no qual atua o filho do ex-governador, André Puccinelli Junior.

A PF cumpre dois mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária, seis de condução coercitiva e 24 de busca e apreensão em Aquidauana, Noaaue, Campo Grande e São Paulo. Os investigadores estimam que os prejuízos causados passam dos R$ 235 milhões. Além disso, a Justiça determinou o sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas. Papiros de Lama mobiliza 300 policiais e auditores da CGU e da Receita. A investigação tem como objetivo desarticular organização criminosa que desviava recursos públicos por meio de fraudes em licitações, superfaturamento de obras, entre outras irregularidades. Os recursos desviados passaram por processos elaborados de ocultação da origem, resultando na configuração do delito de lavagem de dinheiro.

"Há provas já existentes acerca de desvios e superfaturamentos em obras, direcionamento de licitações, uso de documentos falsos, aquisição ilícita e irregular de produtos e obras, concessão de créditos tributários direcionados e pagamento de propinas a agentes públicos". A nova fase da investigação decorreu da análise de materiais apreendidos nas quatro etapas anteriores e dos depoimentos de colaboradores, que confessaram participação em crimes.

A propina era mascarada com diversos tipos de operações simuladas, dando a falsa impressão de licitude ao aumento patrimonial dos integrantes do esquema ou de dar maior sustentação financeira aos seus projetos.

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