Para Temer, Brasil tem tendência ao autoritarismo e centralização do poder

Para Temer, Brasil tem tendência ao autoritarismo e centralização do poder

O discurso foi feito em Itu (101 km de São Paulo), para onde o governo foi transferido simbolicamente no feriado, cidade que foi palco de uma convenção em 1973 que discutiu a criação da República. "Se nós não prestigiarmos certos princípios constitucionais, a nossa tendência é sempre caminhar para o autoritarismo, para uma certa centralização. O povo brasileiro tem, digamos, uma certa tendência para a centralização", afirmou temer.

O Governo brasileiro escolheu Itu para as comemorações do Dia da Proclamação da República do Brasil porque o município é considerado o berço do movimento que colocou fim à monarquia e albergou a primeira convenção republicana no Brasil, em 1873.

Para justificar a afirmação, Temer citou episódios passados que representaram ruptura da ordem democrática como em 1030 e 1964, sendo que esta última marcou o início da ditadura militar no Brasil. Segundo ele, as ditaduras foram instaladas no país não apenas por causa de golpes de Estado, mas também porque o povo quis.

A vinda do presidente na referida data reforça o valor emblemático do dia 15 de novembro.

"Então eu quero dizer aos senhores e as senhoras que o fato de nós termos praticamente transferidos, digamos, o governo aqui para Itu [nesta quarta], é de uma simbologia muito forte, muito significativa".

Em seu discurso, Bandeira de Mello defendeu a gestão Temer.

O presidente foi ao interior entregar o título de cidadão ituano ao empresário e amigo José Eduardo Bandeira de Mello, de 78 anos, seu ex-sócio num escritório de advocacia na década de 1960. Segundo ele, "nunca antes nesse país alguém foi tão traído e vítima de tantas ciladas como o presidente". "O presidente Temer não está buscando aplausos da população, mas sim o que o país precisa". Segundo o presidente, a reforma trabalhista, que entrou em vigor no dia 11, foi fruto desse diálogo e acordo entre empresários e trabalhadores.

A segurança do prédio foi reforçada pelo Exército, que ficou nos arredores. "A caravana passou tranquilamente, mesmo com tentativas de paralisar nosso governo". Mesmo assim, um grupo de 20 pessoas ligadas ao PSOL e ao Sindicato dos Metalúrgicos de Itu e Região fez muito barulho do lado de fora, com faixas, aos gritos de "fora Temer" e contra a reforma da Previdência.

Artigos relacionados