Os médicos cumprem hoje um dia nacional de greve

Os médicos cumprem hoje um dia nacional de greve

A greve foi convocada pelo Sindicato Independente dos Médicos e pela Federação Nacional de Médicos que consideram que o Ministro da Saúde "não foi sensível aos problemas" dos profissionais nem aos problemas do Serviço Nacional de Saúde. Nos hospitais, a adesão é de 90% a 100%, os blocos operatórios estão parados e os centros de saúde estão a funcionar a cerca de 20%. Já no Curry Cabral, diz, está um bloco a funcionar para transplantes e em Coimbra estão dois de 20 blocos.

Segundo Mário Jorge Neves, os próximos passos do processo reivindicativo dos médicos vai ser definido ainda esta quarta-feira, numa reunião entre os promotores da greve que irão ainda fazer um balanço do protesto.

Defendem ainda, entre outras questões que perfazem 25 pontos, "a diminuição da idade de reforma para os médicos, como profissão sujeita a elevados níveis de risco, penosidade e desgaste", assim como a atribuição de incentivos às unidades de cuidados de saúde personalizados nos cuidados primários de saúde, "num modelo que tenha em conta a experiência adquirida com as Unidades de Saúde Familiar e que não discrimine aquele sector laboral de médicos de família". Medidas como a redução da lista de utentes por médico de família, que actualmente se situa nos 1900 utentes por médico, pretendendo regressar progressivamente a um máximo de 1550, ou a imposição de um limite de 12 horas de trabalho em serviço de urgência, com a anulação das actuais 18 horas semanais. O que poderá ter de custos directos é o pagamento de horas extraordinárias.

Para Guida da Ponte, da comissão executiva da FNAM, esta greve é diferente na adesão expressa, a qual é "bastante sugestiva" do tempo que se vive e do "descontentamento" da classe, cita a Lusa. Há dois meses que aguardamos uma contraproposta do Ministério da Saúde e ainda não recebemos nada.

Os sindicatos médicos que promovem a greve que decorre desta as 00:00 de hoje revelaram que a adesão ao protesto é maior do que a registada nos anteriores e mostraram-se disponíveis a novas formas de luta. Tal como o secretário-geral do SIM, este dirigente sublinhou a "forte adesão" dos médicos à greve, que se expressa em vários casos pelo encerramento total das salas e o adiamento de consultas.

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