MPF aponta "confusão patrimonial" de Alexandre Accioly — Lava-Jato

MPF aponta

No esquema, de segundo a Promotoria, Fichtner teria usado o seu cargo de chefe da Casa Civil para favorecer empresas específicas de outros integrantes da organização criminosa de Sérgio Cabral.

A 7ª Vara Federal Criminal do Rio determinou a prisão preventiva do ex-secretário da Casa Civil do Rio Régis Fichtner, braço direito do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), na manhã desta quinta-feira, 23.

Os agentes da polícia federal chegaram ao endereço de Fichtner, num condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona sul da cidade, por volta das 06:00 locais (08:00 em Lisboa).

Segundo a denúncia, tais empresas também eram assessoradas pelo escritório Fichtner, Mannheimer, Horta e Perez advocacia, do qual o ex-secretário é sócio. Alexandre Accioly foi intimado a depor. Também receberam mandados de prisão os engenheiros Maciste Granha de Mello Filho e Henrique Alberto Santos Ribeiro, além do empresário Georges Sadala Rihan.

De acordo com o documento do Ministério Público, Fichtner teria recebido pelo menos R$ 1,5 milhão em propina em repasses feitos em dinheiro vivo.

A Procuradoria da República afirma que as investigações tiveram como base os depoimentos do operador de Cabral, Luiz Carlos Bezerra, que admitiu que as anotações feitas em suas agendas apreendidas pela Polícia Federal referiam-se à contabilidade paralela da organização liberada por Cabral. Na relação de pagamentos, Régis Fichtner aparece como "Régis", "Alemão" e "Gaúcho".

Segundo a PF, durante as investigações foram identificados elementos indicadores do envolvimento de servidores públicos e empresários no pagamento e no recebimento de vantagens indevidas.

Depois que Cabral rompeu com o empreiteiro Fernando Cavendish, Sadala assumiu o posto de número um, acompanhando o ex-governador em todas as viagens de lazer.

Ele foi sócio do consórcio Agiliza Rio, responsável pelo programa "Poupa Tempo", que reúne órgãos oficiais com o fim de facilitar a obtenção de documentos. Apenas com Sérgio Cabral, foram registrados 135 telefonemas, sendo os últimos próximos da data de prisão de cabral, em novembro do ano passado.

Régis Fichtner e George Sadala foram fotografados, em setembro de 2009, na 'Farra dos Guardanapos', em Paris. Após a eleição de Sérgio Cabral ao governo do Rio, atuou como uma espécie de lobista junto a empresários que tinham interesses em parceria com o estado. A ação da PF desta quinta é parte da Operação Calicute, que prendeu o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho.

Artigos relacionados