'Lamentáveis', diz Moro sobre indagações de Lula em relação à imparcialidade

'Lamentáveis', diz Moro sobre indagações de Lula em relação à imparcialidade

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressou com um recurso pedindo que volte a ser analisado um mandado de segurança que pretende derrubar o bloqueio de bens do petista.

Os valores usados nas reformas teriam vindo de contratos das empreiteiras na Petrobras e repassados como vantagem ilícita ao ex-presidente.

Lula teve aproximadamente R$ 10 milhões em bens bloqueados a mando de Moro, após ter sido condenado a mais de 9 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex.

"O que a denúncia afirma é que, nesses contratos, havia acertos de propinas, que compunham um caixa geral de propinas do Partido dos Trabalhadores com o grupo Odebrecht e com o grupo OAS, sendo que parte delas foi utilizada para as reformas do sítio em Atibaia", diz o texto.

"Ao contrário, o pedido acolhido havia sido apresentado pelo MPF em 04/10/2016 e foi mantido em sigilo pelo juiz Sérgio Moro, que o acolheu somente em 14/07/2017, sem nenhuma atualidade e quando não mais detinha a jurisdição do caso, pois já havia proferido sentença no processo principal", apontou a defesa.

No documento, Moro sustenta que não há na denúncia a afirmação de que os recursos provenientes dos contratos da Petrobras com a Odebrecht ou com a OAS foram utilizados diretamente para as reformas do sítio.

Além de negar a suspenção do julgamento até a conclusão do inquérito que procura identificar se Lula é o proprietário oculto do sítio, Moro também negou o pedido de absolvição sumária e várias solicitações de perícia feitos pela defesa do ex-presidente.

O juiz Sérgio Moro marca para fevereiro de 2018 as primeiras audiências do processo que acusa o ex-presidente Lula de receber vantagens indevidas da OAS e da Odebrecht por meio de um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo. A respeito da defesa de Lula, a PF nada informou. Entre eles estão o casal de marqueteiros João Santana e Monica Moura e os empresários Milton e Salim Schahin.

Em nota, a defesa do ex-presidente afirma que Moro foi escolhido pela força-tarefa da Lava Jato "para processar a ação sem que haja qualquer vínculo efetivo do caso com supostos desvios em contratos da Petrobras". Vara Federal Criminal de Curitiba é necessária a demonstração clara de vínculos reais com desvios em contratos da Petrobras, o que não se verifica no caso concreto, como admitido pelo próprio juiz.

O juiz, na visão da defesa, ainda caiu em contradição ao afirmar que não há necessidade de elo direto entre os recursos supostamente desviados da Petrobras e as reformas.

Além disso, os advogados criticam o indeferimentos de "todas as provas periciais requeridas pela defesa" e afirmam que "a garantia da ampla defesa está sendo desprezada".

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