Jantar da Web Summit no Panteão é "absolutamente indigno"

Jantar da Web Summit no Panteão é

Este sábado foi divulgada na internet uma fotografia de um jantar no Panteão Nacional, organizado pela equipa da Web Summit.

Os utilizadores revoltaram-se e não foram os únicos, com António Costa, primeiro-ministro, a emitir um comunicado no qual repudia a situação.

Apesar de legalmente salvaguardada, a realização do jantar depressa alimentou uma bola de neve de protestos nas redes sociais e, às 17h20, António Costa anunciou no Twitter a decisão do Ministério da Cultura de avançar com uma alteração à lei que autoriza esse tipo de eventos em monumentos nacionais, "por despacho do anterior Governo".

O jantar da "Founders Summit", que reuniu pessoas escolhidas pela organização na sexta-feira à noite, decorreu no espaço central do Panteão, junto aos túmulos de figuras como Amália Rodrigues, Eusébio, Almeida Garrett ou Sophia de Mello Breyner Andresen. "A utilização do Panteão Nacional para eventos festivos é absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos", refere o comunicado do gabinete do primeiro-ministro.

Apesar das dúvidas e críticas, o Panteão Nacional é um dos Monumentos Nacionais disponíveis para serem cedidos à realização de eventos privados.

Perante esta informação, o ministro da Cultura "entende determinar a imediata revisão do referido despacho". O Regulamento de Utilização de Espaços nos Serviços Dependentes, que entrou em vigor em 2014, foi aprovado pelo governo de Pedro Passos Coelho, com o objetivo de uma "rentabilização assente na qualidade e, sobretudo, na salvaguarda da sua especificidade e prestígio", indicava a nota governativa que circulou na altura. "Já cansa que o atual governo tente sempre fugir à responsabilidade, procurando encontrar culpados para as más decisões que toma".

Um despacho conjunto dos gabinetes dos secretários de Estado da Cultura e Adjunto e do Orçamento, publicado na segunda série do Diário da República de 27 de junho de 2014, regulamenta a utilização dos espaços afetos à Direção-Geral do Património Cultural, a partir de 1 de julho desse ano, para diferentes iniciativas, desde culturais a académicas, sociais, infantis, empresariais e para filmagens de cinema, televisão e publicidade. Já se a opção for os claustros do Mosteiro dos Jerónimos, um jantar pode custar 40 mil euros e na Torre de Belém, os preços variam entre os 1500 e os 7500 euros.

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