Fitch mantém nota do Brasil em grau especulativo, com perspectiva negativa

A agência de classificação de risco Fitch confirmou, nesta sexta (10), a nota do Brasil e manteve o país no grupo considerado mau pagador de suas dívidas.

A perspectiva negativa reflete a continuidade de incertezas relacionadas com a sustentabilidade e força da recuperação econômica brasileira, as perspectivas para a estabilização da dívida no médio prazo e o progresso da agenda legislativa, especialmente a reforma da Previdência.

Segundo a agência, limitam as notas do país a debilidade estrutural nas finanças públicas e o alto endividamento do governo, fracas perspectivas de crescimento e indicadores de governança mais fracos do que os pares do país, além do recente histórico de instabilidade política.

A Fitch espera uma retomada cíclica "moderada" no Brasil, com crescimento acelerando de 0,6% em 2017 para em média 2,6% entre 2018 e 2019, com recuperação no consumo, apoiada pela inflação mais baixa, que impulsiona os salários reais, pela estabilização da taxa de desemprego e da desalavancagem das famílias, o que abre espaço para maior crescimento e crédito ao consumidor. Para a agência, um ambiente político "desafiador" continua a impedir o progresso na reforma da Previdência, "que é importante para a viabilidade e a credibilidade de médio prazo do teto de gastos". "Os riscos de baixa para o crescimento poderiam vir de incertezas subjacentes políticas, fiscais e nas reformas", sustenta a agência. Uma recuperação do investimento também é esperada para os próximos anos. O déficit em conta corrente recuou cerca de 80% durante os primeiros nove meses deste ano, em comparação com igual período do ano passado, diante dos maiores superávits comerciais.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, classificou como "normal" a decisão da Fitch. "Mas não estão dizendo se acham que vai ou não vai ser aprovada", afirmou.

Artigos relacionados