Brasil gasta mal — Banco Mundial

Brasil gasta mal — Banco Mundial

Um novo relatório do Banco Mundial detalha a ineficiência do gasto público com educação no Brasil e sugere uma medida tida como controversa no país: a cobrança de mensalidades nas universidades públicas. O estudo, encomendado pelo governo federal, analisa as raízes dos problemas fiscais recorrentes no Brasil e identifica possíveis reformas que podem tornar as despesas mais eficientes.

Foi entregue na manhã desta terça-feira (21) o relatório do Banco Mundial sobre os gastos públicos brasileiros em oito áreas distintas. Entre eles, o peso no Orçamento, a eficiência e a avaliação sobre o ponto de vista da justiça social. O levantamento, intitulado "Um ajuste justo - propostas para aumentar eficiência e equidade do gasto público no Brasil", conclui que no Brasil, os governos federal, estaduais e municipais gastam mais do que podem, e de forma ineficiente, já que os objetivos não são alcançados.

"A menos que tais mudanças ocorram, o Brasil não conseguirá observar o teto de gastos e superar os riscos associados à incipiente recuperação atual, retornando, ao invés disso, a uma crise fiscal e macroeconômica", afirma o documento.

O deficit fiscal atingiu 8% do PIB, além disso, a dívida aumentou de 51,5% do PIB, em 2012, para 73% neste ano.

Com relação à Previdência, o estudo aponta que 35% dos subsídios beneficiam aqueles que estão entre os 20% mais ricos.

E apenas 18% vão para os 40% mais pobres. Ainda segundo o levantamento, os servidores públicos federais ganham, em média, 67% a mais do que os trabalhadores da iniciativa privada. Já os servidores estaduais recebem 30% a mais.

"Os gastos públicos com o ensino superior também são altamente ineficientes, e quase 50% dos recursos poderiam ser economizados".

O governo gasta 0,7% do PIB com as universidades federais, que apresenta também dados injustos: 65% dos alunos estão entre os 40% mais ricos.

Em mais uma medida para cortar gastos, o Banco Mundial recomendou ao governo que extinguisse o acesso gratuito ao ensino superior público. Mas para isso, teria que reduzir os privilégios, focando o atendimento dos serviços nos segmentos mais pobres da população.

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