Arábia Saudita. Detenções para consolidar poder do príncipe herdeiro

Arábia Saudita. Detenções para consolidar poder do príncipe herdeiro

O comité anticorrupção é dirigido pelo príncipe herdeiro, Mohamed bin Salman, e tem como missão investigar casos de corrupção detetados no reino, segundo informou ainda antes da notícia das detenções a agência oficial SPA.

O procurador-geral saudita, o xeque Saud al-Mojeb, disse que o estatuto dos detidos não irá influenciar "a firme e justa aplicação da justiça", segundo a AFP.

Um dos detidos foi o príncipe bilionário Alwaleed bin Talar, com conhecidos investimentos no Twitter e na Apple e um dos homens mais ricos do mundo com um fortuna pessoal calculada em 17 mil milhões de dólares (14 mil milhões de euros), segundo a revista norte-americana "Forbes".

Também é conhecido por ser dos membros da realeza saudita mais frontais, defendendo há muito mais direitos para as mulheres.

Segundo a cadeia de televisão Al Arabiya, pelo menos 11 príncipes, quatro ministros e "dezenas" de ex-ministros foram detidos na noite de sábado na Arábia Saudita por ordem de um comité anticorrupção criado horas antes pelo rei Salman bin Abdulaziz.

O novo organismo tem o poder de emitir ordens de detenção e de proibição de viajar para o estrangeiro, além de poder congelar bens dos investigados e adotar outras medidas preventivas ainda antes de os casos chegarem a tribunal.

O comitê reabriu a investigação de dois casos de corrupção relacionados com inundações ocorridas na cidade de Jidá, em 2009, e com o surto de coronavírus, que matou 500 pessoas entre 2012 e 2015.

Um ministro, bem como os responsáveis da Guarda Nacional Saudita, foram substituídos.

Ao mesmo tempo, o rei Salman substituiu os chefes da Guarda Nacional, príncipe Miteb bin Abdullah, e da Marinha, almirante Abdullah bin Sultun bin Mohammed Al-Sultan.

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