A análise da OCDE à economia portuguesa — Otimismo moderado

A análise da OCDE à economia portuguesa — Otimismo moderado

A retoma da economia portuguesa veio para ficar, defende a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, que apresenta esta terça-feira uma previsão para o crescimento nos próximos anos que supera, não só as projecções de entidades como o Banco de Portugal ou a Comissão Europeia, como fica mesmo ligeiramente acima das expectativas traçadas pelo Governo no Orçamento do Estado para 2018. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) neste ano permaneceu em 0,7%.

Apesar do relativo optimismo em termos de crescimento económico, a organização deixa um alerta: "Dado o elevado stock de crédito malparado (non-performing loans) no sistema bancário e a elevada dívida pública, qualquer choque externo negativo sobre a economia real pode ser particularmente desafiante".

Para 2018, a projeção subiu de 1,6% para 1,9%.

A economista-chefe da OCDE, Catherine Mann, reconheceu que "há sinais positivos" como o aumento do investimento empresarial, mas que não são firmes o suficiente para prolongar esse crescimento durante 2019, quando está prevista uma desaceleração da economia (3,6%). “Inicialmente impulsionada pela agricultura, a recuperação agora parece cada vez mais ampla”, diz o relatório de perspectivas econômicas.

A OCDE também ressaltou que a inflação baixa elevou a renda familiar e permitiu a queda das taxas de juros, o que por sua vez sustentará a recuperação dos investimentos. A OCDE afirma ainda que a reforma da Previdência é crucial para assegurar o cumprimento da regra do teto dos gastos públicos e promover a sustentabilidade fiscal.

De acordo com essas projeções, a recuperação pode ser ainda maior daqui a dois anos, pois a OCDE prevê um crescimento do 2,3% em 2019.

No relatório, a organização salienta que a economia mundial se fortaleceu, com estímulos monetários e fiscais sustentando uma melhoria ampla e sincronizada das taxas de crescimento na maioria dos países.

As estimativas foram reveladas pela OCDE, que no Economic Outlook publicado esta manhã, antevê que no próximo ano a economia global vai registar o crescimento mais forte em oito anos, apesar do investimento continuar "pouco inspirador" e do "cada vez mais perigoso nível da dívida".

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