Temer vai tentar suspender envio de denúncia de Janot à Câmara

Temer vai tentar suspender envio de denúncia de Janot à Câmara

As afirmações foram encaminhadas ao STF (Supremo Tribunal Federal). O julgamento está marcado para a próxima quarta-feira (20). Para Janot, os dois delatores omitiram informações das quais tinham conhecimento. Para ele, as provas só serão examinadas após Janot apresentar eventual segunda denúncia e, se a Câmara dos Deputados aprovar a admissibilidade dela. Os advogados afirmam que a colaboração de executivos da empresa foi direcionada por integrantes da PGR.

Para que Temer vire réu por esses crimes, a Câmara deve autorizar a abertura de uma ação penal contra o presidente no Supremo.

"Temer acusado de ser o líder de uma organização criminosa", é o título de uma matéria no site da rádio Europe 1, lembrando que a rede de corrupção supostamente encabeçada pelo presidente teria embolsado R$ 587 milhões em propinas em troca de favores de empresas privadas. São necessários ao menos 342 deputados votarem neste sentido.

A segunda acusação formal foi apresentada após o Supremo rejeitar o afastamento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, das investigações contra Temer no caso J&F. O acordo foi assinado no início de junho pela Procuradoria da República no Distrito Federal e prevê a destinação de R$ 8 bilhões a órgãos públicos prejudicados pelos atos criminosos e o restante (R$ 2,3 bilhões) para o financiamento de projetos sociais. Janot também denunciou os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) por organização criminosa, mas o Planalto já avisou que não vai afastá-los porque a acusação da PGR tem como base "delações fraudadas".

O advogado de Henrique Alves, Marcelo Leal, enviou a seguinte nota: "Henrique Eduardo Alves faz parte do PMDB há mais de 40 anos e não de uma organização criminosa".

Segundo os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, o documento final elaborado pelos agentes fala em suposto recebimento de R$ 31,5 milhões pelo presidente. "Para Janot, em maio de 2016, com a reformulação do núcleo político da organização criminosa, os integrantes do 'PMDB da Câmara', especialmente Michel Temer, passaram a ocupar papel de destaque que antes havia sido dos integrantes do PT em razão da concentração de poderes na Presidência da República", informou a PGR. "Ao lado de Eduardo Cunha, os elementos analisados nos autos demonstram que o presidente Michel Temer possui poder de decisão nas ações do grupo do 'PMDB da Câmara', tanto para indicações em cargos estratégicos quanto na articulação com empresários beneficiados nos esquemas, para recebimento de valores, sob justificativa de doações eleitorais", diz o relatório.

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