Temer será denunciado por organização criminosa e obstrução de Justiça, diz jornal

Em meio à expectativa para a segunda denúncia de Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer, o Palácio do Planalto discute estratégias para desidratar a nova peça do procurador-geral da República.

A reportagem apurou que o peemedebista será acusado dos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça.

A nova denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer deve ficar parada por pelo menos uma semana no Supremo Tribunal Federal, segundo avaliam ministros. Considera ainda que a peça acusatória é uma tentativa de "criar fatos" para "encobrir a necessidade urgente de investigação sobre pessoas que integraram sua equipe".

O STF vai julgar as suspeitas de ilegalidades na condução do acordo de delação premiada conduzido por Janot e os executivos da JBS.

A petição havia sido feita pela defesa de Temer, que alega perseguição e vê parcialidade na conduta de Janot nas investigações sobre o presidente, iniciadas a partir de delações de diretores da empresa JBS. De acordo com as investigações, além de Temer, fazem parte da suposta quadrilha os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil), os ex-deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).

Se o prosseguimento da denúncia for autorizado pela Câmara e ela for aceita pelo Supremo, Temer deverá ser afastado do cargo por 180 dias. Mas Temer negou as acusações.

O mandato de Janot à frente da PGR termina neste domingo (17).

A nova acusação deve ser submetida novamente aos deputados.

A autorização prévia para processar o presidente da República está prevista na Constituição.

A nova acusação contra Temer chegará num momento em que o acordo de colaboração da JBS foi colocado em xeque. O áudio foi entregue pelos delatores no dia 31 de agosto. Depois disso esse mesmo procurador se desligou do Ministério Público e foi trabalhar no escritório de advocacia que defende os irmãos Batista.

"É uma denúncia extremamente grave, que mostra que na cadeira da Presidência da República está sentado o chefe de uma organização criminosa que ordenou a compra do silêncio do operador financeiro desta organização criminosa". Ao discursar no evento, ele não mencionou a nota e nem mesmo o resultado das investigações da Polícia Federal, limitando-se a explicar que o encontro discutiria ideias sugeridas por centrais sindicais e federações de empresas para incentivar a economia.

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