Sócio de Cardozo fez contrato fictício — Joesley

Sócio de Cardozo fez contrato fictício — Joesley

Ao pedir a prisão do ex-procurador e dos delatores Saud e Joesley Batista, dono da JBS, a PGR destacou que há "indicativo de que Marcello Miller, ainda na condição de procurador da República, teria, em princípio, ajudado os colaboradores a filtrar informações, escamotear fatos e provas e ajustar depoimentos e declarações, em benefício de terceiros que poderiam estar inseridos no grupo criminoso [formado pelos delatores]". Segundo o delator, o escritório do sócio do ex-chefe da Justiça e da Advocacia Geral da União no governo Dilma emitia notas fiscais entre R$ 70 mil e R$ 80 mil em um contrato fictício.

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo disse estar tranquilo em relação às possíveis gravações que o empresário Joesley Batista afirmou ter guardadas no exterior.

Por meio de nota, Cardozo disse que soube "com indignação" que o executivos tentaram criam uma "armadilha" na reunião em que discutiram contratação do seu escritório, o CM Advogados.

Ele disse ainda que a empresa patrocinou vários eventos e palestras do Instituto de Direito Público, que é ligado ao ministro Gilmar Mendes.

Além de informar que Marco Aurélio Carvalho foi contratado pela J&F, no passado, quando integrava outro escritório de advocacia, Cardozo também negou que teria recebido dinheiro de Joesley por intermédio de seu sócio. Ele diz que o outro diz.

Joesley explicou à PGR a frase de que eles não seriam presos, justificando que se tratava de um mantra: "Que o trecho -nós sabemos que não vamos ser presos" era um mantra do depoente, repetido para as irmãs e sua mãe, a fim de passar credibilidade à sua família e à sua equipe e motivá-las. Joesley, nesse caso, em relação à referência indevida que faz ao Dr. Marco Aurelio Carvalho, pessoa em quem deposito plena confiança pessoal.

O procurador-geral também menciona no pedido de prisão depoimento de Ricardo Saud no procedimento de revisão da delação no qual o executivo admitiu a Miller ter tido uma conversa com o advogado e ex-ministro José Eduardo Cardozo. "Joesley afirmou que teria celebrado um contrato 'fictício' com o advogado Marco Aurélio Carvalho, do qual nunca fui sócio até o presente ano, e que este advogado teria ainda dito que uma parte do dinheiro me seria enviada", diz. "Foi uma conversa de advogado com cliente, não houve nada de ilícito e acabei não pegando a causa", disse.

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