Ministro do Supremo acha que foi gravado pelo dono da JBS

Ministro do Supremo acha que foi gravado pelo dono da JBS

"Os casos que agora estão sobre a mesa são altamente constrangedores. O que está saindo na imprensa sobre esses casos todos e que sairá certamente nos próximos dias, horas, meses, certamente os fatos vão corar frade de pedra", disse. Já se fala abertamente que a delação de Delcídio foi escrita por Marcello Miller. Muller é acusado de auxiliar os delatores da JBS em firmar acordos de delação quando ainda atuava como procurador. Sabe-se lá o que que ele fez aqui também. "Portanto nós estamos numa situação delicadíssima", lamentou. O STF está enfrentando um quadro de vexame institucional', disse.

"O ministro Teori certamente está rezando por nós dizendo: 'Deus me poupou desse vexame'".

A Procuradoria-Geral da República está em "estado de putrefação e de degradação", afirma o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

"Não invejo seus dramas pessoais, porque certamente poucas pessoas ao longo da história do STF se viram confrontadas com desafios tão imensos, grandiosos. E tão poucas pessoas na história do STF correm o risco de ver o seu nome e o da própria Corte conspurcado por decisões que depois vão se revelar equivocadas".

Ao término da fala de Mendes, Fachin, que também é da Segunda Turma, respondeu que não se constrange por julgar com base na prova dos autos e afirmou que a alma dele "está em paz".

"Julgar de acordo com a prova dos autos não deve constranger a ninguém, muito menos um ministro da Suprema Corte".

O ministro Gilmar Mendes reconheceu que as delações são importantes e, em muitos casos, não há investigações sem elas. "Os estudos mostram que há um convite à subdelação, protegendo determinadas pessoas".

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o presidente da Associação Nacional dos Procuradores Federais (ANPR), José Robalinho Cavalcanti, criticou os ataques sofridos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Não se pode fazer isso com as instituições. "Ter sido ludibriado por Miller 'et caterva' [e comparsas] e ter tido o dever de homologar isto [a delação da JBS] deve lhe impor constrangimento pessoal muito grande nesse episódio", afirmou. Eles são acusados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato. "Ou seja, o pagamento a Eduardo da Fonte de R$ 300 mil (100 mil em espécie e 200 mil em doações oficiais para a campanha eleitoral do deputado), a fim de intervir para que a UTC tivesse precedência para a obtenção dos contratos para a futura construção da Coquepar e outras obras". A investigação integra a Operação Lava-Jato, que apura irregularidades na Petrobras. Gilmar Mendes já deixou claro que seu voto é contra o recebimento da denúncia. Ela e Gilmar Mendes dizem que o desligamento vinha sendo negociado havia algum tempo e não guarda relação com a crise envolvendo a JBS. "Vamos chancelar a palavra de um colaborador?" Como uma delação não pode por si só levar à condenação de alguém, havendo a necessidade de coletar mais provas, ele foi favorável a arquivar o processo já agora.

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