Miller diz que 'nunca fez jogo duplo' entre Procuradoria e JBS

Miller diz que 'nunca fez jogo duplo' entre Procuradoria e JBS

As mensagens foram entregues à PGR (Procuradoria-Geral da República) na última quarta-feira (6) pelo escritório Trench Rossi Watanabe, a quem o órgão havia pedido esclarecimentos. Esther - que deixou a banca Trench Rossi Watanabe no final de agosto - admitiu a esses interlocutores ter sido fundamental para a contratação de Miller para o escritório, mas não a única responsável. "Gostaria de falar com vc [você], especialmente para te explicar algumas adições que fiz".

Para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entre os documentos apresentados "constam elementos de que, antes de março do corrente ano, Marcello Miller já auxiliava o grupo J&F no que toca o acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Publico Federal". "Avise assim que puder falar", escreveu a advogada.

"Trench Rossi Watanabe confirma que está auxiliando as autoridades competentes e continua à disposição das mesmas, a exemplo de como tem se portado ao longo de seus mais de 50 anos de trajetória no mercado brasileiro de serviços jurídicos, sempre pautados pela ética e transparência".

A resposta do então procurador foi dada justamente no e-mail que trata da passagem.

Por meio de sua assessoria, a advogada Esther Flesch informou que o documento em questão é uma minuta, como se nota pelos campos em aberto no próprio documento.

Já em e-mail de 14 de fevereiro intitulado "sobre o caso que discutimos ontem", Miller esclarece a Flesch detalhes técnicos sobre improbidade administrativa -como no tópico "1) improbidade administrativa da empresa no âmbito do financiamento do BNDES". Miller só pediu para deixar o cargo em 23 de fevereiro e somente em 5 de abril foi efetivamente exonerado. A suspeita da PGR é que informações importantes tenham sido omitidas nos depoimentos da delação premiada.

O ex-procurador nunca fez jogo duplo ou agiu contra a lei e não tinha qualquer contato com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nem atuação na Operação Lava Jato desde, pelo menos, outubro de 2016.

Em depoimento à PGR na quinta (7), um dos delatores da JBS, o executivo Ricardo Saud, relatou que recebeu orientação de Miller durante a elaboração do acordo de delação premiada da empresa.

Miller destaca que, como a prática da empresa era nacional, seria possível deslocar a competência para o Ministério Público Federal.

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