Michel Temer e 'quadrilhão' do PMDB são denunciados ao STF

"Michel Temer é acusado de ter atuado como líder da organização criminosa desde maio de 2016", informou a assessoria da PGR.

O documento da PGR tem como base as delações de executivos da JBS e do corretor de valores Lúcio Funaro, que teve delação premiada homologada.

"Ao fazer esse movimento [de oferecer a denúncia] Rodrigo Janot tenta criar factos para encobrir a necessidade urgente de investigação sobre pessoas que integraram a sua equipa e em relação às quais há indícios consistentes de terem direcionado delações e, portanto, as investigações", acusou o Governo brasileiro.

O procurador-geral falou ainda da "coragem" do tribunal ao analisar os casos da "lava jato" envolvendo investigados com foro especial por prerrogativa de função e destacou que a corte respeitou as leis e a constituição em suas decisões nos processos sobre o caso.

Ao questionar se ilegalidades parecidas não podem ter ocorrido em outras delações, como a do ex-senador Delcídio do Amaral, Gleisi criticou o fato de o ex-presidente Lula ter sido novamente intimado a depor nesta quarta-feira (13).

"Não houve por parte do presidente da República, ao contrário do que afirma a denúncia, não houve nenhuma ação em que ele, presidente de República, tivesse solicitado, recebido, favorecido ou aceitado qualquer benesse, elementares do crime de corrupção", afirmou Mariz.

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), vice-líder do governo na Câmara, esteve com o presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto, após a divulgação, pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, da segunda denúncia contra o presidente.

A defesa de protocolou no início da noite desta quarta no STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido para que o ministro Edson Fachin aguarde até a próxima quarta-feira (20) para encaminhar à Câmara dos Deputados a nova denúncia apresentada por Janot contra o presidente.

Esta é a segunda vez que Janot apresenta denúncia contra o presidente da República. No seu lugar, assumirá Raquel Dodge, indicada por Temer.

Entre as ações que configuram obstrução de justiça, a denúncia se refere ao "pacto de silêncio" entre Funaro e Joesley Batista para que eles não fechassem acordo de delação. O áudio foi entregue pelos delatores no dia 31 de agosto. "Michel Temer dava a necessária estabilidade e segurança ao aparato criminoso, figurando ao mesmo tempo como cúpula e alicerce da organização". Segundo a Polícia Federal, Temer tinha poder de comando nesse grupo e utiliza terceiros para executar tarefas sob seu controle. O ex-procurador nega as irregularidades e diz que não usou o cargo público para favorecer a JBS.

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