Michel Temer acusado de obstrução e organização criminosa

Michel Temer acusado de obstrução e organização criminosa

O procurador-geral alega também que, além de Michel Temer, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha também participariam da organização criminosa.

Janot também deve citar a cúpula do PMDB da Câmara na denúncia, que tem como base as delações de executivos da JBS e do operador financeiro Lúcio Funaro.

"O Presidente tem certeza de que, no final de todo esse processo, prevalecerá a verdade e, não mais, versões, fantasias e ilações". Janot denunciou oito integrantes do partido do presidente na tarde desta quinta (14) sob acusação de organização criminosa, formada em 2006 e que perdura até os dias atuais, que teria arrecadado R$ 587,1 milhões ao longo dos últimos 11 anos.

A segunda acusação de Janot será encaminhada à Câmara num momento em que o acordo de colaboração da JBS foi colocado em xeque.

Durante a investigação, a defesa de Temer questionou os benefícios concedidos a Joesley Batista pela PGR no acordo de delação. "Ignora deliberadamente as graves suspeitas que fragilizam as delações sobre as quais se baseou para formular a segunda denúncia contra o presidente da República, Michel Temer", diz trecho do comunicado.

Continuando no ataque, a Presidência afirma que a segunda denúncia contra Temer é "recheada de absurdos" e que fala sobre "pagamentos em contas no exterior ao presidente sem demonstrar a existência da conta do presidente em outro país".

O relatório da Polícia Federal, usado na denúncia, aponta que integrantes do PMDB, incluindo o presidente Michel Temer, formaram uma organização criminosos para cometer crimes - como corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas - e atuar na Petrobras e em outras esferas da administração pública. Na avaliação de Dino, o Supremo não pode fazer essa pré-avaliação no bojo dos "estreitos limites" da questão de ordem apresentada pela defesa de Temer. Após a notificação, o STF enviará a denúncia para a Câmara dos Deputados.

A acusação de obstrução a Justiça leva em consideração, segundo a PGR, dá tentativa dos acusados de tentar evitar que o doleiro Lúcio Funaro firmasse acordo de delação premiada.

Em linhas gerais, a corte deverá julgar se uma eventual nova denúncia de Janot contra o presidente fica suspensa até a conclusão do julgamento de suspeição do procurador-geral.

"Acho temerário nós processarmos uma denúncia, ela iria para a Câmara, que se faça isso em face dos dados todos que estão sendo colhidos", disse.

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