Funaro diz que Temer autorizou pagamento de Caixa 2

Funaro diz que Temer autorizou pagamento de Caixa 2

As declarações de Funaro, hoje preso no presídio da Papuda, em Brasília, são citadas no relatório da Polícia Federal no inquérito que investigou suposta quadrilha do "PMDB da Câmara".

Funaro relatou que em dois encontros com Temer - na base aérea de São Paulo e em Uberaba - estava acompanhado do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso em Curitiba. Funaro negociou com o empresário da Gol "o adiantamento de valores decorrentes de negócios escusos" entre o corretor e Constantino, "para a liberação de créditos junto à Caixa Econômica Federal", segundo nota da Polícia Federal. As informações são do jornal "Folha de São Paulo".

Ainda segundo Funaro, Henrique Constantino, empresário da Gol, teria pedido ao operador financeiro uma prova de que era Temer o responsável por pedir o dinheiro para a campanha de Chalita.

Diante do pedido de Constantino de confirmar se o pagamento das despesas tinha, de fato, partido de Temer, Funaro disse que então acionou o então deputado Eduardo Cunha (PMDB), hoje ex-deputado. Por meio de sua assessoria, o presidente Temer disse que "jamais aconteceu tal telefonema". "Essa informação é inteiramente falsa", afirmou. Este seria Hugo Fernandes da Silva Neto, apontado como intermediário na negociação de Funaro e Constantino.

"Daniel organizava a ajuda financeira da campanha de Chalita, por meio de pagamento de boletos".

Em termos de depoimentos à PF que vieram a público em junho passado, Funaro já havia dito que entregou ou mandou entregar, "a mando do presidente Michel Temer (PMDB-SP)", valores para a campanha eleitoral de Chalita.

Além de Chalita, em sua delação premiada, Lúcio Bolonha Funaro também teria citado Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha, Moreira Frando, Romero Jucá, Reinaldo Azambuja, Sérgio Soraes e Delcídio do Amaral como outros nomes beneficiados por pagamentos ilícitos.

Funaro declarou que "operava nas duas vice-presidências da Caixa Econômica sob influência política do PMDB na Câmara", ou seja, a Vifug (Vice-presidência de Fundo de Governo e Loterias) e a Vice-presidência de Pessoa Jurídica.

O operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro afirmou em acordo de delação premiada que esteve com o presidente Michel Temer em três ocasiões: um encontro na base aérea de São Paulo, outro durante comício em Uberaba (MG) nas eleições municipais de 2012 e uma terceira reunião de apoio à candidatura Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo, também em 2012.

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