Fachin determina prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud, da J&F

Fachin determina prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud, da J&F

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu no final da noite de ontem (8) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão do empresário Joesley Batista, do ex-executivo da J&F Ricardo Saud e do ex-procurador da República Marcelo Miller.

Janot também havia solicitado a prisão do ex-procurador da República Marcello Miller, mas Fachin, neste caso, não autorizou a prisão.

As prisões são temporárias e não há data para a execução. A decisão sobre o pedido será tomada pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF. Auxiliares de Janot que avaliam que ele atuou junto à JBS com uso de informações privilegiadas que possui por ser ter integrado a equipe de Janot e pode ter incorrido no crime de obstrução de justiça e exploração de prestígio.

Depoimentos Na quinta-feira (07/09), os executivos prestaram esclarecimentos à PGR, mas não convenceram.

Os advogados dos empresários pedem ainda que se observe artigo do Código de Processo Penal que determina que, "ressalvados os casos de urgência ou de perigo de ineficácia da medida, o juiz, ao receber o pedido de medida cautelar, determinará a intimação da parte contrária". O advogado dos executivos, Pierpaolo Cruz Bottini, também colocou os passaportes dos dois à disposição da Justiça.

Fachin aponta que a omissão de Joesley e Saud em seus acordos de delação diz respeito ao suposto "aconselhamento ilegal" que vinham recebendo do ex-procurador da República Marcelo Miller, suspeito de favorecer a JBS enquanto ainda era membro do Ministério Público Federal (MPF). No sábado (9), a defesa do grupo J&F colocou à disposição os passaportes do empresário Joesley Batista e do ex-diretor de Relações Institucionais da holding Ricardo Saud. "Para que o depoimento, então?", questionou. "Porque esse pedido de prisão antes do depoimento?" Dez horas de depoimento pra se ter um pedido (de prisão) pronto? Para que o procurador, se fez o pedido de prisão, pediu para ele ser ouvido? "Se existir, causa muita espécie e indignação à defesa", comentou Perecmanis. "As declarações dele [Miller] não interessam ao Ministério Público?" Isso ficou devidamente esclarecido no depoimento."Perecmanis afirmou, ainda, que o depoimento foi longo porque seu cliente "respondeu a todas as perguntas, não negou uma única pergunta que foi feita" e disse que não há previsão de nova oitiva".

Na mesma ocasião, os ministros deverão discutir, em uma questão de ordem, a validade das provas obtidas no acordo de colaboração da J&F, que passou a ser questionada pela defesa de Temer após a publicação da polêmica.

Artigos relacionados