Ex-preparador de Ayrton Senna, Nuno Cobra é preso por abuso sexual

Ex-preparador de Ayrton Senna, Nuno Cobra é preso por abuso sexual

O ex-preparador físico de Ayrton Senna, Nuno Cobra, de 79 anos, foi preso nesta segunda-feira pela Polícia Federal em São Paulo, acusado de abusar sexualmente de uma mulher em agosto deste ano, informou o Ministério Público Federal (MPF). Ele ficou conhecido nos anos 1980 quando cuidava da preparação física do piloto Ayrton Senna. Como o crime se deu no espaço aéreo, o caso está na Justiça Federal e ainda não foi julgado. Este segundo caso trazido aos autos ensejou o pedido de prisão que foi decretado pela 3ª Vara Federal de São Paulo e cumprido nesta segunda-feira.

A juíza condenou Nuno Cobra a três anos e nove meses de prisão em regime inicial aberto e substituiu a pena para prestação de serviços à comunidade e à prestação pecuniária - pagamento mensal de um salário mínimo a entidade pública ou privada. A Procuradoria da República, em São Paulo, relatou à juíza que 'mesmo após ser processado e logo depois de ser interrogado em audiência', em 14 de junho deste ano, Nuno Cobra 'teria continuado a praticar os mesmos atos pelos quais foi acusado e condenado'.

De acordo com a sentença, Nuno foi condenado por violação sexual mediante fraude e por meio que dificultou a livre manifestação da vítima.

"A prova dos autos é plena no sentido de que o acusado tocou na vítima sem o seu consentimento, reiterada vezes, aproveitando-se do momento da decolagem da aeronave em que se encontravam", escreveu a magistrada. "A segregação cautelar do acusado (Nuno Cobra) é medida de urgência", completou. De acordo com a assessoria do MPF, o homem atacou, em agosto, uma profissional de imprensa após uma entrevista. Em seguida, teve uma ereção e a mulher tentou se afastar.

Educador físico de formação, Cobra é autor de "A Semente da Vitória", que já ultrapassou a 100ª edição. Na década de 1990, ele trabalhou também com Christian Fittipaldi, Rubens Barrichello, Mika Hakkinen e outros esportistas.

Segundo o relato da vítima e de testemunhas, o preparador físico sentou-se ao lado da mulher em um voo e começou a conversar com ela, dizendo que trabalhava com o corpo e manipulação de energias. Ela afirmou que, durante a decolagem, teve seus seios e pernas apalpados por ele diversas vezes, sob a justificativa de manipular pontos energéticos. Assim que o avião fez a conexão no aeroporto de Congonhas, traumatizada, a vítima esperou o término do desembarque para descer do avião e contar o que se passou à Polícia Federal. Segundo o MPF, o agressor agiu de forma dolosa para praticar os crimes simplesmente para satisfazer seu prazer sexual.

No último dia 5 de setembro, uma jornalista compareceu ao Ministério Público Federal (MPF) e afirmou que alguns dias antes também foi vítima de atos libidinosos por parte de Nuno Cobra, após ter sido entrevistado por ela, inclusive com outros jornalistas presentes no local.

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