"Eu não comprei uma casa à Teixeira Duarte" — Medina

"Eu percebi quem era a proprietária no momento em que adquiri a casa".

O caso está a ser investigado pelo Ministério Público, garantiu a Procuradoria-geral da República (PGR), na sequência de uma denúncia anónima.

Em resposta às questões do CM, sobre a aquisição de um duplex no centro da cidade em setembro de 2016 por 645 mil euros, sem ter informado o Tribunal Constitucional do seu valor final, Medina adianta que, em agosto de 2016, "atualizei a minha declaração dando conta do contrato-promessa celebrado (onde deu um sinal de 220 mil euros) e da forma como o iria liquidar", acrescentando "comuniquei a nossa intenção de contrair um empréstimo bancário para financiamento do restante".

Sobre esta relação, Fernando Medina garante que "desconhecia, como aliás desconheço, qual o posicionamento da proprietária na hierarquia da família, as suas relações com o grupo (.) Eu não comprei uma casa à Teixeira Duarte, eu comprei uma casa no prédio dos meus sogros".

Segundo a revista Sábado, a casa pertencia e foi vendida por um elemento da família Teixeira Duarte, que controla a construtora com o mesmo nome, à qual foram adjudicadas pela autarquia obras como a recuperação do Miradouro de São Pedro de Alcântara.

Ouvido pelo Observador, Fernando Medina alega ter dado conhecimento da aquisição ao Tribunal Constitucional, ao declarar o valor do sinal entregue, e que não está em incumprimento com a lei, já que "é do conhecimento público esta transacção". E compara com a venda feita pelo autarca, de um outro apartamento na mesma zona, por 490 mil euros, acima dos 360 mil pelos quais o tinha adquirido.

Contudo, ainda hoje Medina não actualizou a declaração de rendimentos enquanto proprietário da casa, ou seja, com o valor total da propriedade (645 mil euros). Uma fonte do sector imobiliário, não identificada, citada pelo Observador, tinha sugerido que o preço tinha ficado abaixo da média praticada.

O autarca de Lisboa remete para o site www.medina2017.pt, onde disponibiliza um esclarecimento e documentação sobre este caso.

"Só posso reagir com indignação às notícias que são publicadas".

"A todos esses [denunciantes] quero dizer: Podem tentar, mas não vão conseguir. Não vamos desistir de fazer desta campanha o que deve ser - uma campanha de discussão de políticas e de opções e não uma campanha de casos", afirmou.

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